| Marcele Tonelli |
| Gambá saruê adulto encontrado no quintal de uma casa no Jardim Europa em 23 de outubro |
Espécie típica do cerrado, mas cada vez mais adaptada ao meio urbano, o chamado gambá-de-orelha-branca ou saruê já é facilmente encontrado em vários bairros de Bauru.
Explica-se: com a chegada da primavera e do calor, época propícia de sua reprodução, a cidade se torna ainda mais atrativa dada à falta de predadores e a facilidade em obter alimentos, já que o gambá é um bicho que come de tudo. Por mês, a Polícia Militar Ambiental e o Corpo de Bombeiros recebem cerca de 150 ligações de solicitações para retirada de gambás em residências, uma média de cinco chamados por dia.
Justamente por conta das inúmeras solicitações, a PM Ambiental de Bauru lançou um alerta, nesta semana, por meio de sua página no Facebook, orientando a preservação desses animais e o como as pessoas devem agir ao encontrar um gambá em casa.
Proteção
Assim como outros animais da fauna nativa, silvestre ou em rota migratória, o gambá é protegido pela Lei de Crimes Ambientais, 9605/98, que em seu artigo 29 proíbe matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar de qualquer outra forma esses animais sem licença ou autorização da autoridade competente no município.
“É importante a preservação destes animais porque eles simplesmente estão à procura de alimentos, abrigo, enfim, quando escolhem o forro de nossas residências para poder se esconder da ação danosa que o homem pratica contra o meio ambiente”, frisa a PM.
“Ao se deparar com um gambá, o melhor a fazer é deixá-lo passar. Não mexa com ele ou no ninho, é crime! Ele acaba indo embora sozinho”, acrescenta Alex Ribeiro Radighieri, 1.º sargento da PM Ambiental.
A PM Ambiental recebe diariamente até duas chamadas para retirada. O sargento ressalta ainda o fato de que não há relatos de ataques desses tipos de animais na cidade.
Por outro lado, a presença do gambá é preocupante justamente por conta de sua capacidade reprodução e de transmissão de zoonoses como a raiva, leptospirose e vermes. “Logo logo ele será um problema para a cidade, assim como as pombas e as maritacas”, avalia Luiz Pires, diretor do Zoo de Bauru.
Locais frequentes
Segundo o sargento Radighieri, o recolhimento do animal é feito em situações extremamente necessárias, que envolvam riscos aos animais ou às pessoas.
Capturado, o gambá é levado, geralmente, para uma área de preservação ambiental próxima ao Zoológico de Bauru. Mas, em muitos casos, acabam voltando.
Segundo o Corpo de Bombeiros, que recebe até três chamados por dia, o aparecimento do gambá saruê é frequente em regiões com mata, como nos bairros Jardim Tangarás, Parque Manchester, Jardim Estoril e Jardim Estoril 5.
No dia 23 de outubro, um saruê adulto foi encontrado pela manhã no quintal de uma residência, localizada na quadra 6 da rua Lázaro Rodrigues, no Jardim Europa.
Após passar cerca de duas horas pendurado entre um muro e uma árvore frutífera, fugindo de cachorros, ele acabou indo embora.
Vamos entender
Pertencente à família dos marsupiais, o gambá-de-orelha-branca, nome científico Didelphis albiventris, possui hábito noturno, o que explica o fato de ele ser encontrado geralmente pela manhã. Além do cerrado, também é presente na caatinga, pantanal e em áreas de campo, principalmente nas regiões sudeste, centro este, nordeste e sul do Brasil, explica Luiz Pires.
Possui os pêlos longos e grossos, de cor preta com as extremidades brancas que dão aspecto de acinzentado ou grisalho. Sua cabeça é grande e apresenta uma listra negra ao centro que alcança o focinho, o qual é alongado e rosado.
“O rabo é desprovido de pêlos, o que faz com que as pessoas o confundam com ratazanas. Mede até 50 cm de comprimento e possui o hábito de se refugiar em ocos de árvores, forros de casas e chaminés”, frisa.
Apenas a fêmea possui o marsúpio, onde ficam alojados filhotes que, ao cresceram, são carregados no dorso da mãe. A reprodução ocorre até três vezes ao ano e a gestação dura até 15 dias, o número de filhotes varia de 10 a 20. É animal onívoro e alimenta-se praticamente de tudo, como raízes, frutas, insetos, aves. Em locais urbanos pode alimentar-se de ovos e aves domésticas e de resíduos orgânicos, como sobras da alimentação humana e de animais domésticos.
É inofensivo, mas apresenta comportamentos de defesa ao ser ameaçado: costuma fingir-se de morto e exalar um odor fétido, também pode chegar a morder se atacado.
“Ele tem dentes pontiagudos, mas só ataca se for ameaçado. Também possui a glândula de defesa que emite o odor fétido, mas não se compara ao jato fétido do gambá Jaritataca [comum nos desenhos animados], que levanta a calda e espirra o líquido por até um metro e vinte de distância”, comenta Pires.
Serviço
A PM Ambiental realiza a captura o gambá saruê nos casos que envolvam riscos aos animais ou às pessoas. Telefone: (14) 3203-2727. O Corpo de Bombeiros atende os chamados de captura conforme a disponibilidade de equipes. Telefone: 193.