11 de julho de 2026
Esportes

Patrocinador do Bauru Basket, Rodrigo Paschoalotto, fala sobre projetos

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 7 min

Quioshi Goto
O empresário bauruense aponta caminhos e atitudes a serem tomadas para desvincular o esporte local de “mecenas” e tornar as modalidades competitivas autossustentáveis e longevas

Presidente da Paschoalotto Serviços Financeiros, patrocinador master do Bauru Basket, membro do comitê gestor da equipe e com voz determinante dentro da cúpula do time bauruense, o empresário Rodrigo Paschoalotto tem  avaliação aguçada da maneira de se fazer esporte de alto rendimento e dos caminhos para consolidar projetos rumo à longevidade.

Em meio ao sucesso do Bauru Basket, que teve temporada invejável com direito à disputa de Mundial e amistosos na NBA - o primeiro time paulista a jogar na pré-temporada da NBA nos Estados Unidos -, Paschoalotto, em entrevista ao Jornal da Cidade, aponta caminhos e atitudes a serem tomadas para desvincular o esporte local de “mecenas” para perenizar a existência das modalidades na cidade e comenta que considera positiva a criação de uma associação, unificando basquete, vôlei, futebol e futsal em Bauru. O empresário fala ainda sobre a construção da arena multiuso e da permanência da Paschoalotto no Bauru Basket.

JC – Existe a ideia de se criar um complexo esportivo dentro do Alfredo de Castilho, contemplando as três modalidades que atuam lá, o basquete, o vôlei e o próprio Noroeste...
Paschoalotto - A gente tem conversado. Se for ver pela lógica, seria mais fácil criar uma associação e ter embaixo dela vôlei, basquete, futsal e Noroeste. E esta associação gerir essas quatro modalidades. Faz mais sentido.

JC – Mas é viável na sua opinião?
Paschoalotto - É viável para o futuro. Vou dar um exemplo. O futsal gasta com assessor de imprensa. O vôlei tem outro, o basquete outro e o Noroeste outro. Talvez um ou dois resolveriam tudo. Com fisioterapeuta, Bauru Basket gasta dinheiro, o vôlei gasta, o Noroeste gasta, o futsal gasta. Com a associação, talvez teríamos metade do que se tem hoje. Área administrativa, controle das categorias de base, tudo isso faz muito sentido. Logicamente, quando entrar no alto rendimento, não dá. Cada um vai ter sua comissão técnica, seu time. Mas o que está por trás é viável e necessário para ter continuidade no futuro.

JC – Então, você vê isso com “bons olhos”?
Paschoalotto – Sim, fui um dos primeiros a falar isso. Mas tem que ter o apoio da Prefeitura. Sem isso, acho muito difícil. Porque é Bauru Basket. O vôlei é Bauru. Na verdade, é tudo Bauru. Bauru vôlei, Bauru basquete, Bauru futebol, que é o Noroeste, Bauru futsal, que é a FIB. Tem que caminhar para esta fórmula de administração, mais inteligente e enxuta e que vai baratear custos para todo mundo. Com isso, você vai conseguir ter estes esportes de alto nível pelo maior tempo em Bauru. O problema que acho do esporte é que todos os projetos vinculados a uma empresa ou pessoa têm começo, meio e fim certo. A gente só vai deixar um esporte perene se criarmos mecanismos e formas para que nenhum esporte bauruense seja vinculado à pessoas ou à determinadas empresas. Igual Franca. Franca tem 50, 60 anos de basquete. Épocas com times fortes e épocas com times não tão fortes, depende do patrocínio. Mas continua tendo basquete. O que a gente precisa é ter esta cultura em Bauru. Precisamos desvincular das pessoas. Enquanto tiver o “eu faço”, “eu sou o responsável por tudo”, estamos no caminho errado. Quando acabarmos com isso, começamos a dar um passo para perenizar o esporte. Não precisa ter um time tão bom. Hoje temos um time de basquete que é um dos melhores do Brasil. Pode chegar daqui a duas, três temporadas e não ter mais este time. Mas ter time. 

JC – Um time que não fique sob constante ameaça de fechar?
Paschoalotto – Isso. É cíclico. Em um ano vamos ter um time para disputar título. Em outro, temos time para disputar para não cair. Mas a comunidade tem que saber entender, absorver isso e apoiar. O público é importante. Nós temos uma fatia de torcedor que vai a todos os jogos e torcedor de playoff. Mas o torcedor em qualquer modalidade tem que ter a cultura de comparecer quando a gente tiver um time modesto. Se deu 7 mil no jogo contra o Fernandópolis, por que não dá 3 mil torcedores em todos os jogos do Noroeste? Porque não vai. Quando o time está em alta, é bom público. Quando está em baixa, a torcida é a mesma? Não é. Muitas vezes a gente critica, vamos dar um exemplo, o Noroeste, mas não vai ao estádio apoiar. Se você vai a todos os jogos, acompanha, tem direito de falar. Se não vai, não pode criticar. Temos que criar esta cultura para todos os esportes, igual tem em Franca com o basquete, que eu acho maravilhosa. Time bom ou time ruim, tem uma certa torcida, dois, três mil que vão ao ginásio em Franca. Caso contrário, uma época tem time, outra não tem, acaba. 

JC – É o time ser realmente da cidade...
Paschoalotto - Isso mesmo. O time não é do patrocinador, não é da diretoria, do técnico, de jogador. O time é da cidade. Todos passam, vem e vão, o que permanece é o time. Quantos patrocinadores o Franca Basquete já teve na história dele, 50, 30? Não sei, mas é Franca Basquete. Às vezes, com um time muito forte, outras com um time menos forte. Mas sempre teve basquete. Este é o caminho e aí faz sentindo unificar tudo para ter uma administração mais enxuta e barata, custos compartilhados. Aí vai adiante.

JC – O projeto da arena esportiva continua nos planos? É um assunto que esfriou. Continua de pé?
Paschoalotto - A arena é um projeto do município. O Roger Barude (secretário de Esportes) chegou em mim e falou que o município precisaria ter um projeto pronto para conseguir verba pública para a construção. Mas não era só o projeto arquitetônico, precisaria ter todo o projeto estrutural. E é caro. O Roger relatou que a Prefeitura não tinha dinheiro para pagar. Eu falei: ‘eu pago e dou de presente para a cidade’. A Assenag fez o concurso, foi feito o projeto e está na mão da Prefeitura. A Paschoalotto pagou o projeto e está na mão da Prefeitura. Agora, conseguir verba estadual e federal neste momento de crise que o País passa é um pouco complexo. Acho que uma Parceira Público-Privada, algo assim, seria um caminho viável. A Prefeitura doando a área e empresários se reunindo para construir e ter o direito de uso por “X” anos. Mas não sei.

JC – Em curto prazo...
Paschoalotto – Em curto prazo não vejo muita perspectiva. Fizemos até mais do que nossa parte. Demos o projeto. Vejo assim: se eu fosse fazer uma arena, construiria onde está a Panela de Pressão hoje. Se a Prefeitura for assumir o complexo, tem que assumir tudo. Teve Jogos Abertos aqui. Fizeram uma pista de atletismo que custou R$ 4 milhões. Por que não se fez em volta do campo do Noroeste? Poderia ser em Parceria Público-Privada. Você habitaria mais o complexo.

JC – Você citou a crise econômica do País na questão da construção de uma arena. De que maneira a crise impacta no orçamento do Paschoalotto/Bauru? Ela trouxe dificuldade financeira ao time? Houve saída de patrocinadores ou queda de receita do time? Existem muitos comentários e especulações sobre esse assunto...
Paschoalotto – Um ou outro patrocinador saiu, mas foi reposto. Nosso orçamento é maior do que o do ano passado. Na rede social todo mundo fala o que quer. E se fala muita bobagem. Numa crise ninguém está a salvo, todo mundo perde. ‘Mas a empresa não trabalha com cobrança?’ Trabalha. Mas eu só ganho se o devedor pagar. Se ele não tiver dinheiro para pagar, não ganho nada. Pelo contrário, gasto mais. Se me perguntar se em 2019 vamos estar patrocinando o basquete, não sei (o atual contrato vai até 2018). A economia do País está em um rumo e ritmo muito ruins. Não dá para garantir nada. A vontade nossa é continuar no basquete. Tem como cravar que estaremos lá em 2019? Não.

JC – Mas algum dos parceiros não está pagando ou está atrasado?
Paschoalotto – Não.

JC – A Paschoalotto diminuiu o aporte ao time?
Paschoalotto – Não.

JC – De situação imediata...
Paschoalotto – Imediato, vamos ser campeões do NBB8 (risos).

Ingressos Bauru x Flamengo

O NBB8 vai começar e o primeiro jogo da competição será em Bauru. O Paschoalotto/Bauru encara o Flamengo na próxima segunda, 2, às 19h, no Ginásio Panela de Pressão, e os torcedores interessados em prestigiar a estreia do Dragão poderão comprar os ingressos hoje, das 9h às 17h, na loja da Claro (Av. Getúlio Vargas, 8-88; telefone (14) 3202-8957).

Caso os ingressos não se esgotem, eles serão comercializados no dia do jogo, a partir das 17h, na bilheteria do Ginásio. Os preços dos ingressos são os seguintes: arquibancada (R$ 30,00), meia entrada (R$ 15,00) e cadeira de quadra (R$ 100,00).