Somente depois que meu pai “partiu” é que pude avaliar, verdadeiramente, a falta que nos fazia. Quando outros céus derramavam sobre as tardes saudosos jorros de luz; quando outras paisagens despertavam sentimentos vazios; quando as lonjuras dos caminhos de ferro, rendilhados de postes telegráficos, trilhos e dormentes, ficavam para trás; quando aves pernaltas e brancas permaneciam estáticas a contemplar a imensidão das planícies alagadas; quando ficávamos a meditar na extensão de felicidade que juntos dele deixamos de gozar: eu vi minha mãe chorando: somente porque um dia ele tomara um trem para nunca mais voltar.
Algum tempo depois... era chegada a vez de nossa mãe deixar o “Trem Vida” e desembarcar na “Estação Saudade” onde - bastante brilhante - em sua placa indicativa destacava-se a seguinte inscrição: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Salmo 91:1,2”