08 de julho de 2026
Geral

Importação e exportação despencam em Bauru e região

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

O ano de 2015 está se consolidando como mais um período ruim para a indústria regional. O  volume de importações e exportações em Bauru e mais 19 municípios registrou queda nos nove primeiros meses do ano, em comparação ao mesmo período de 2014.

A alta do dólar e a retração do mercado interno são algumas das explicações para o baixo desempenho atual, revelado pelos números divulgados nesta semana pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Entre janeiro e setembro, a região exportou US$ 376,4 milhões, 24,3% menos do que os US$ US$ 497,0 milhões remetidos ao Exterior no mesmo período de 2014. Já as importações diminuíram 23,2%, com resultado de US$ 220,3 milhões nos primeiros nove meses de 2015 e US$ 286,8 milhões entre janeiro e setembro do ano passado.

A balança comercial manteve saldo superavitário de US$ 156,2 milhões, valor 25,7% menor, contudo, em relação ao acumulado em nove meses do ano passado, de US$ 210,2 milhões.

Segundo o vice-diretor regional do Ciesp João Bidu, a balança comercial da região é sempre superavitária. Em Bauru, contudo, o resultado acaba sendo “mascarado” pelo desempenho de uma indústria fabricante de aços laminados, que apenas mantém um ponto de distribuição na cidade. “Os produtos não são fabricados em Bauru, mas representaram, em 2015, aproximadamente 36% de toda a exportação do município”, pontua ele, com base em análises realizadas pelo ex-coordenador do Grupo de Comércio Exterior do Ciesp em Bauru, Gerson Mori.

Ainda de acordo com Bidu e Mori, as importações foram derrubadas neste ano, principalmente, pela valorização do dólar frente ao real, o que aumenta o custo dos insumos adquiridos pelos industriais de empresas estrangeiras, e pela retração do mercado interno, o que desestimula as empresas a produzir.

Nas importações da região, os destaques foram: reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos e suas partes (US$ 94,7 milhões); veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios (US$ 26,4 milhões); e borracha e suas obras (US$ 19,7 milhões). As principais origens dos produtos importados pela região foram Suécia (17,4% do total importado); Coreia do Sul (14,4%) e Alemanha (12,3%).

Exportações

Ainda que a alta do dólar pudesse, em tese, favorecer as exportações, as remessas também caíram, de acordo com Bidu e Mori, devido à dificuldade das empresas em investir em novos mercados. Entre os principais produtos exportados por Bauru estão reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos e suas partes (US$ 78,2 milhões); veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios (US$ 74,2 milhões); ferro fundido, ferro e aço (US$ 73,3 milhões).

Os principais destinos das exportações da região foram Estados Unidos (22,4% do total exportado); Bolívia (21,8%) e Chile (4,9%). “Para atender mercados novos e específicos, estas empresas precisam fazer adaptações, algo que é inviável neste momento da economia para a maioria”, comenta o vice-diretor, com base nas informações prestadas por Mori.

Além disso, os compradores estrangeiros, cientes sobre o momento da economia brasileira, possuem maiores condições de barganhar por descontos. “Eles sabem que o fornecedor precisa vender e, portanto, as possibilidades de negociar e comprar produtos brasileiros por menores preços são maiores”, completa.

Município: números também apontam queda

A remessa de produtos ao Exterior no município de Bauru entre janeiro a setembro de 2015 caiu 13,9% em relação ao mesmo período de 2014, passando de US$ 202,5 milhões para US$ 174,3 milhões.

Já as importações caíram 10,8%, passando de US$ 71,7 milhões para US$ 64 milhões. O saldo da balança comercial, no acumulado de janeiro a setembro de 2015, foi superavitário em US$ 12,5 milhões, enquanto, no mesmo período de 2014, o saldo foi de US$ 17,3 milhões, variação correspondente a uma queda de 27,9%.

Nas exportações efetuadas pelas empresas de Bauru, os destaques foram barras de ferro ou aço (US$ 62,8 milhões),  carnes de animais da espécie bovina (US$ 29,9 milhões) e acumuladores elétricos (US$ 14 milhões).

Os principais destinos das exportações da cidade foram Bolívia (44% do total exportado); Cingapura (6,1%) e Chile (5,1%).

Nas importações, os destaques foram borracha (US$ 15 milhões), preparações alimentícias não especificadas (US$ 5,1 milhões) e motores e geradores elétricos (US$ 3,9 milhões).

As principais origens dos produtos importados pelo município foram Argentina (22,4% do total importado), China (14,5%) e Estados Unidos (13,1%).

Estado

No Estado, as exportações movimentaram US$ 38,2 bilhões entre janeiro e setembro, uma queda de 12,5% em relação ao acumulado no mesmo período de 2014. Já o volume importado somou US$ 49,6 bilhões, redução de 23,8%.

No Brasil, as exportações no período de janeiro a setembro de 2015 somaram US$ 144,5 bilhões, decréscimo de 16,8% sobre o mesmo período de 2014. Já a entrada de importados movimentou US$ 134,2 bilhões, com queda de 23,0% sobre o mesmo período do ano anterior.

Pederneiras

De acordo com o levantamento do Ciesp, o município de Pederneiras foi o principal exportador da região entre janeiro e setembro, respondendo por 48,9% das remessas, seguido por Bauru, com 46,3%. Pederneiras também aparece como principal importador da região, sendo responsável por 56% das aquisições de produtos no mercado externo, novamente seguido por Bauru, com 29,1%.

“Em Pederneiras, o setor de induzidos (peças de motores de ferramentas) exerce uma grande representatividade, bem como a concentração das operações da Volvo, em razão do alto valor agregado de seus produtos”, afirma João Bidu.