08 de julho de 2026
Geral

Negócios aproximam Bauru e China

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
João Rosan
Gonzalo Horta Perez, Sidnei César machado, Reginaldo Dias, Djalma Ribeiro, Alessandro Barbosa, Cristiano Camilo, Leonardo Pedroso Abade, Mário Jorge Abade e Giane Vaz no JC; aima, na China com o guia Gao Yuan (último à direita)

Menos de 48 horas depois de retornar da 118ª. edição da Canton Fair – a maior feira de negócios do mundo, em Guangzhou, na China – integrantes da comitiva Bauru-China se reuniram e fizeram um balanço da recente viagem. E o resultado foi unanimidade: todos consideraram extremamente positiva “principalmente porque aumentou o nosso networking, a rede de conhecimento da gente”, evidenciou o empresário Gonzalo Horta Perez, ligado ao turismo.

A delegação bauruense, composta de oito pessoas, representantes da construção civil além de diretores  de indústrias dos setores de embalagem, tratamento de água, energia e cosméticos, teve a retaguarda da Sedecon (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda) da Prefeitura de Bauru. A iniciativa da participação foi do próprio secretário, Renato Purini.

Concretizando

E alguns já voltaram até com negócio praticamente fechado com empresários chineses. É o caso de Sidnei César Machado, da Europa Purificadores, que viu in loco a preocupação dos chineses com o meio ambiente, apesar de a cidade onde estiveram ser bastante poluída. Guanzhou é a terceira maior da China, atrás apenas de Pequim e Xangai.

Para Sidnei Machado  a preocupação com geração de energia a partir do uso de energias renováveis e limpas ficou clara na Feira. “O tratamento de água apresentado pelas empresas é algo fantástico”. Ele lembrou até mesmo uma tecnologia “capaz de comprar iceberg e dessalinizar a água do mar”.

 
Observando

Giane Vaz, diretora do setor de emprego e renda da Sedecon, lembrou também que na área de cosméticos há um diferencial muito grande: todos os cosméticos são lançados com filtro solar. “A saúde como aliada da beleza é uma realidade, fundamental na indústria de hoje”.

Todos os presentes também ressaltaram a arborização, o verde, “uma constante em todas as ruas e prédios do local”. O que evidencia a preocupação chinesa em resgatar a qualidade de vida e do ar do país. Mas os empresários não tiveram muito tempo para o lazer. Foram com um objetivo: conhecer a feira e as últimas novidades nas áreas em que trabalham.

Muito foco

“Como a feira é muito grande já fomos aqui com um foco definido” explicou Cristiano Camilo, da Macckortt Automação. “Não tinha como ser diferente. Para a gente ter uma ideia do gigantismo da feira, é tão grande, tão grande, que se alguém ficar três minutos em cada estande, iria levar um ano para percorrer todos os 55 mil expositores”.

E faz sentido, afinal um ano tem 525.600 minutos (arredondados) o que dividido pelos 55 mil estandes daria quase 10 minutos para cada. A pessoa para entre um estande e outro, come, descansa então essa tarefa é mesmo impossível. Sem contar que a feira é realizada duas vezes por ano, em períodos de pouco menos de um mês.

Assim, quem se dispõe a viajar para o outro lado do mundo, já tem que sair do Brasil com uma boa ideia do que quer ver e qual o contato a ser feito. Camilo, por exemplo, focou em eletroeletrônicos e energias renováveis, especialmente em painéis fotovoltaicos.

Mão dupla e diferencial

Já Alessandro Barbosa, da Alpac do Brasil, setor de embalagens teve uma grata surpresa: “descobri que podemos produzir aqui em Bauru mesmo uma máquina similar às que os chineses estão oferecendo lá. De forma que se vamos comprar coisas deles, também podemos vender”. Essa via de mão dupla também é um diferencial para os empresários. ”Não que negociar nos dias de hoje esteja fácil. Os chineses sabem da crise do país, têm consciência da diferença do dólar, do valor do real mas isso não quer dizer que não possamos fazer negócio. E há produtos de todas as qualidades possíveis, de classe A, B, C e D”.

Djalma Ribeiro da E.C. Ribeiro, construtora, ressaltou também o saldo que a feira deixa para os bauruenses: a promoção de trocas de conhecimento. Ele cita por exemplo o fato de desconhecer um empresário vizinho seu, que “está a 100 metros de distância e eu não sabia que ele tem uma linha de produto que vou buscar em São José do Rio Preto”. Por isso, todos foram unânimes em afirmar: é preciso que o empresariado esteja aberto para ampliar sua rede de contato, para aumentar sua competitividade e conhecer o que acontece não só lá fora do país, mas bem perto daqui, também.

“O networking somado à vontade de fazer e a colaboração de pessoas é uma fórmula básica para se iniciar um trabalho e conseguir alçar voos maiores”,  disseram todos em coro. E todos voltaram otimistas por terem o respaldo oficial. A viagem fez parte de um plano mais da Sedecon de fomentar as relações diplomáticas, melhorar as exportações e importações e abrir novos mercados de negócios. Há propostas de intercâmbios como esses para os Estados Unidos, Emirados Árabes e África do Sul. O respaldo da iniciativa pública é importante porque os acordos internacionais precisam de incentivos internos e de garantias de segurança.