| João Rosan |
| "Eu sou do esporte, sou do futebol e só sei fazer isso", disse o técnico Vítor Hugo Siqueira |
| Malavolta Jr. |
| Técnico, no domingo passado, em empate em casa por 2 a 2 com o Fernandópolis, que valeu ida à A3 em casa |
| Vítor Hugo com a noiva Adriana Tanaka no Pará; casamento marcado para dezembro |
| “Deus me deu o dom de jogar bola, mas eu tinha que melhorar todos os dias”; na foto, Vítor Hugo (sexto da esq. para dir., em pé) com o time do Noroeste de 1991 |
O título da entrevista deste domingo (1) é “Rei do acesso”. Mas também poderia ser “Salvador da pátria”, “Xerife da Curuzu” ou, quem sabe, “Ex-zagueiro goleador”. Todos os possíveis títulos contam um pouco da trajetória profissional do Técnico do Noroeste, Vítor Hugo Siqueira, ou simplesmente Vítor Hugo. Optamos por “Rei do acesso” já que, somente em Bauru, foram quatro.
“Eu tenho 15 passagens pelo Norusca: já fui jogador, diretor e técnico. Esta é a quarta vez que tenho acesso com o time. Minha primeira passagem data de 1986. No final de 1985 eu vim do Rio Grande do Sul. O time havia caído da primeira divisão para a divisão especial. Começamos a trabalhar e, ainda em 1986, conseguimos o acesso. Como técnico, essa é a segunda vez que tenho acesso com o Clube”, enumera.
Nascido na pequena cidade gaúcha de Muçum, com o futebol, Vítor Hugo rodou o Brasil. Entre as mudanças de endereço, ele se apaixonou no Pará e está com casamento marcado para dezembro. Também no Pará fez fama como “Xerife da Curuzu”, devido a sua passagem como jogador pelo Paysandu, em 1992, quando conquistou o troféu de campeão paraense. “Depois joguei no Remo. Sou ídolo lá pelo o que eu representei como atleta e pessoa”, comenta. Leia mais abaixo.
Jornal da Cidade – A sua história com o Noroeste vem de longa data.
Vítor Hugo – Sim. Eu tenho 15 passagens pelo Norusca: já fui jogador, diretor e técnico. Esta é a quarta vez que tenho acesso com o Noroeste. Minha primeira passagem data de 1986. No final de 1985 eu vim do Rio Grande do Sul. O time havia caído da primeira divisão para a divisão especial. Começamos a trabalhar e, ainda em 1986, conseguimos o acesso. Graças a Deus eu tenho grandes trabalhos na equipe. Como técnico, essa é a segunda vez que tenho acesso, em Bauru. Mas também tive com outras equipes.
JC – Quem é o Vítor Hugo fora dos gramados?
Vítor Hugo Siqueira – Fora dos gramados eu sou um cara tranquilo. Meus passeios se resumem às chácaras de amigos e pescarias. Sou voltado para o campo. Quando não estou trabalhando também gosto de acompanhar os campeonatos na TV ou mesmo em estádios.
JC – Quais são as lembranças marcantes da sua infância gaúcha?
Vítor Hugo – Nasci em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul chamada Muçum, e minha adolescência foi vivida em Soledade. As lembranças que tenho daquela época se voltam para as amizades que fiz e para as escolinhas de futebol que frequentei. Aos 16 anos, um professor me levou para fazer um teste no Esportivo de Bento Gonçalves, por exemplo.
JC – Foi assim que sua carreira no futebol teve início?
Vítor Hugo – Foi um pouco antes. Quando eu tinha 15 anos, fui para o Rio de Janeiro e fiquei oito meses no juvenil do Flamengo. Tenho uma irmã que morava e ainda mora no Rio, que me apoiou. Mas a saudade da minha mãe falou mais alto e eu voltei para Soledade. Minha mãe recebe a minha “Nota 10” porque ela foi uma guerreira. Teve dois casamentos, mas cuidou praticamente sozinha dos oito filhos. Ela foi mãe, pai... Foi tudo.
JC – Você é conhecido por ser um técnico “linha dura”.
Vítor Hugo – Eu procuro ser o mais profissional possível. Por exemplo, se o horário marcado para o trabalho começar é às 9h, não pode ser 9h01. O atleta tem que trabalhar para conseguir resultados. Não tem essa de trabalhar um pouco. Precisamos trabalhar o necessário e até um pouco mais. Eu sou correto nas decisões e no tratamento com os jogadores. Não importa se ele é um menino que está começando ou se já tem nome.
JC – A sua história com o Noroeste vem de longa data.
Vítor Hugo – Sim. Eu tenho 15 passagens pelo Norusca: já fui jogador, diretor e técnico. Esta é a quarta vez que tenho acesso com o Noroeste. Minha primeira passagem data de 1986. No final de 1985 eu vim do Rio Grande do Sul. O time havia caído da primeira divisão para a divisão especial. Começamos a trabalhar e, ainda em 1986, conseguimos o acesso. Graças a Deus eu tenho grandes trabalhos na equipe. Como técnico, essa é a segunda vez que tenho acesso, em Bauru. Mas também tive com outras equipes, sim.
JC – Seu contrato foi renovado até maio de 2016. Quais são as suas primeiras expectativas?
Vítor Hugo – Agora é montar um time competitivo e em condições de buscar resultados, apesar das grandes dificuldades financeiras do Clube. Não teremos grandes investimentos, mas, dentro do nosso conhecimento, podemos montar uma equipe em condições de buscar a série A2 do Campeonato Paulista.
JC – Com o futebol você rodou o Brasil, certo?
Vítor Hugo – São 36 anos de futebol. Tudo começou como jogador no juvenil do Flamengo, em 1981. Depois eu rodei o Brasil, como jogador e técnico. Passei pelo Esportivo de Bento Gonçalves, Grêmio, Noroeste, Inter de Limeira, Bragantino, Guarani, Flamengo, Marília, Olímpia, Francana, São Carlense, Portuguesa, Remo, Paysandu, Ceará, Fortaleza, Confiança... Joguei em 26 clubes. Fui do Rio Grande do Sul ao Pará. Eu sou do esporte. Sou do futebol. Só sei fazer isso.
JC – Você acredita que todo sacrifício tem a sua recompensa?
Vítor Hugo – A vontade de ser atleta nasceu comigo. E eu me dediquei muito à minha carreira. Para eu vencer como atleta, precisei abrir mão de muita coisa: passeios, namoradas, baladas... Tudo isso não existia para mim. Deus me deu o dom de jogar bola, mas eu tinha que melhorar todos os dias. Uma vez, jogando no Bragantino, estávamos em reta final de competição e alguns clubes me queriam. Mas, para mim era pouco. Então, passei a acordar às 6h e a fazer um trabalho de velocidade com o preparador físico do time. No fim da competição, havia oito clubes grandes me querendo. Essa foi a minha recompensa. É o que eu tento passar para os meninos: sem trabalho e dedicação ninguém consegue nada.
JC - O que te faz feliz?
Vítor Hugo – O que me deixa feliz é ter conquistas em fases difíceis, como aconteceu agora, com a subida do Noroeste. O estádio estava cheio e eu acho que a torcida é o que carrega o clube e incentiva os jogadores a trabalhar. A torcida nos empurra para conquistas quase impossíveis. Fora dos campos, viver em paz e com tranquilidade é o que me faz feliz.
JC – O que incomoda o técnico do Noroeste?
Vítor Hugo – A falta de palavra e de caráter das pessoas, hoje. Eu aprendi que a assinatura da gente vale pouco, mas a palavra vale muito.
JC – Ouvi dizer que você está de casamento marcado...
Vítor Hugo – Sim [risos]. O casamento será realizado no dia 12 de dezembro, em Santarém do Pará. Mas a lua de mel será em Bauru, trabalhando [risos]. Em janeiro, eu fui dirigir o Tapajós e, no dia 8 de fevereiro, um dia antes do meu aniversário, eu conheci a Adriana. Foi um presente da vida. Vim para Bauru resolver algumas coisas e me desfazer do apartamento onde eu morava, quando surgiu o convite para voltar a dirigir o Noroeste. Já estava com as malas prontas para voltar ao Pará. Ela veio para cá. Mas nós iremos morar lá no Pará. O lugar é lindo. Não há nada igual no Brasil.
PERFIL
Nome: Vítor Hugo Siqueira
Idade: 51 anos
Local de nascimento: Muçum, no Rio Grande do Sul
Signo: Aquário
Amor: Adriana Tanaka (noiva)
Filhos: Gabriela e Giovana
Livro de cabeceira: Bíblia
Filme preferido: “Homens de Honra”
Hobby: Pescaria
Time de futebol: Noroeste e Flamengo
Estilo musical predileto: Sertanejo
Para quem dá 0: Para o governo do PT
Para quem dá 10: Para a minha mãe Jandira (já falecida)
E-mail: vitorhugosiqueira@gmail.com