09 de julho de 2026
Polícia

21 postos assaltados em apenas 34 dias

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

A onda de assaltos a postos de combustíveis em Bauru fez mais uma vítima anteontem à noite. Desta vez, o roubo ocorreu em um estabelecimento na quadra 11 da rua Rafael Pereira Martini, no Jardim Redentor, por volta das 20h45. Este é o 21.º caso do tipo em 34 dias na cidade. A soma dos casos tem tirado o sono das polícias Civil e Militar dao município. 

Responsável pela apuração dos casos, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) já designou uma equipe específica para esses crimes. “Estamos empenhados nos casos e já temos duas linhas de investigação bem definidas sobre suspeitos da autoria de alguns desses roubos. Estamos lidando com criminosos de ocasião, ou seja, não há uma organização criminosa. E não descartamos que uma mesma dupla possa ser autora de uma sequência de crimes”, ressalta o delegado Kleber Granja, titular da DIG.

Nos últimos dias, a Polícia Militar realocou várias equipes para reforçar o patrulhamento em regiões que concentram esse tipo de estabelecimento, conforme o JC divulgou. “Nossos policiais estão atuando, inclusive de madrugada, nas regiões que mais têm registrado ocorrências, como a Vila Falcão, avenida Nuno de Assis e região da avenida Nações Unidas. Além da patrulha, eles também param e conversam com os frentistas. A partir das imagens, estamos tentando identificar esses autores também”, afirma o major João da Costa Duarte, coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I).

Prisões

Nos últimos dias, a Polícia Militar conseguiu prender três assaltantes, um deles autor de um crime cometido em 17 de outubro contra um posto na avenida Nuno de Assis, que também é suspeito de outros crimes.

A última prisão foi de uma dupla reconhecida por assalto a um posto na Vila Pacífico, na semana passada.

 

Roubo recente

A ocorrência registrada anteontem soma-se a outras duas dezenas parecidas e recentemente noticiadas pelo JC.

Dois homens armados com revólveres, vestindo moletons, capacete e meia fina no rosto, chegaram ao local caminhando. Ao se certificarem que o estabelecimento estava sem movimento, anunciaram o assalto aos dois frentistas que trabalhavam na ocasião. Após recolherem a quantia que estava no bolso dos funcionários, cerca de R$ 100,00, os bandidos fugiram a pé, em direção à avenida Nações Unidas.

Segundo o proprietário, que pediu para não ser identificado, esta foi a primeira vez em 15 anos que o estabelecimento foi alvo de assalto. 

A ação durou menos de um minuto e foi registrada por câmeras de segurança. 

Crimes ligados?

 

O crime ocorrido ontem no Jardim Redentor pode ter relação com outros dois roubos cometidos entre as quadras 9 e 11 da rua Rafael Pereira Martini nos últimos dias, segundo a DIG. 

“Houve uma sequência de roubos ali, contra uma farmácia e um mercado, recentemente. Acreditamos que todos possam ter sido cometidos por uma mesma dupla, pelo modo de agir”, pontua Granja.

E é exatamente no modus operandi (modo de agir) e no perfil dos criminosos que a polícia tem apostado algumas fichas ao longo das investigações.

Assaltantes que usam a mesma touca ou máscara, outros que deixam escapar detalhes físicos, como tatuagens, já começaram a ser investigados através do banco de imagens da Polícia Civil.

“Muito embora em alguns casos recentes, os criminosos estejam cobrindo os rostos, existe uma estratégia de ação voltada para o reconhecimento do suspeito nas mesmas condições por ele utilizada quando do roubo, ou seja, esse suspeito é colocado para reconhecimento pessoal, numa sala própria, sendo paramentado com os mesmos mecanismos de disfarce por ele utilizado na ocasião, aliado a esse protocolo”, comenta Granja, sobre uma das técnicas que têm sido aplicadas na tentativa de resolução dos casos.

Por voz

Um dos grandes trunfos da Polícia Civil, segundo Granja, também tem é sido o trabalho de reconhecimento por voz. 

“O suspeito reproduz a voz de comando dada ao frentista quando do assalto, o que possbilita um reconhecimento satisfatório do suspeito por parte da vítima”, acrescenta o delegado.

Apesar das várias estratégias, o delegado ressalta a importância da denúncia da população. “A Polícia Civil roga por essa sensibilização e colaboração da comunidade bauruense”, finaliza.

 

Malote com R$ 83 mil é roubado

 

Mais um caso de roubo contra postos foi registrado na cidade anteontem, porém, o fato não foi enquadrado pela Polícia Civil como parte da onda de crimes por ter sido praticado fora da área do estabelecimento, que fica no Santa Luzia, e por ter sido cometido com uma estratégia diferente. Segundo o JC apurou, um funcionário de 50 anos do posto estacionava o carro, na quadra 15 da rua Agenor Meira para ir ao banco depositar um malote, por volta das 14h30, quando foi abordado por uma dupla armada em uma motocicleta. Após anunciarem o assalto, eles fugiram levando cerca de R$ 80 mil em cheques e R$ 3 mil em dinheiro.

O caso, segundo Granja, foi enquadrado, em um primeiro momento, como “saidinha de banco”. A polícia não descarta, contudo, que os criminosos tenham agido mediante informações privilegiadas relacionadas ao estabelecimento.

Também anteontem, um posto de combustíveis próximo ao Vale do Igapó foi alvo de roubo por volta das 21h30. Os bandidos teriam fugido levando aproximadamente R$ 2.169,00. Por conta da localização do posto, que fica em Pederneiras, no entanto, o caso seria remetido ao policiamento do município vizinho e não entraria para as estatísticas de Bauru.

Serviço
Denúncias sobre autores e suspeitos devem ser comunicadas à Polícia Civil por meio do 197, Disque Denúncia. Há garantia de anonimato.