A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal e outros vereadores receberam e ouviram, na manhã de ontem, gravações em áudio e documentos entregues pelo ativista Pedro Valentim, possivelmente vinculados à suposta fita de vídeo – ainda não disponibilizada pelo denunciante – cujo teor indicaria a negociação de propina por agentes políticos em troca de facilitações para a concessão de área pública de Bauru a uma empresa privada.
Durante a veiculação das gravações, na presença de jornalistas, ficou evidente que as mesmas foram produzidas pelo próprio Valentim, somente depois que o assunto sobre a primeira fita veio à tona, há cerca de duas semanas. Nelas, ele conversa com dois agentes políticos, em contextos diversos, nos quais outros são citados.
| João Rosan |
| Vereadores, servidores e jornalistas escutaram as gravações na manhã desta quarta-feira, na Câmara Municipal de Bauru |
O Jornal da Cidade não divulgará, por ora, a identidade dos interlocutores de Pedro nem dos demais aos quais os diálogos fazem referência. Isso porque, a princípio, há aparente inconsistência no material, isoladamente. Os tais agentes políticos não fazem sequer denúncias de fato, limitando-se a fazer comentários e algumas ilações.
O mesmo vale para os documentos, em sua maioria, reprodução de processos públicos, acrescidos de observações e comentários abstratos.
APURAÇÃO
Com o objetivo de jogar luz sobre o conteúdo das gravações em áudio apresentadas ontem, a Comissão de Fiscalização e Controle se reunirá extraordinariamente hoje, a partir das 9h30, quando definirá quais providências serão tomadas diante dos fatos até então tornados públicos.
Presidente do grupo, Roque Ferreira (PSOL) adiantou que os envolvidos e citados serão chamados a prestar esclarecimentos ao Poder Legislativo. Os primeiros nomes devem ser elencados já nesta quinta-feira.
A comissão também deve deliberar pela degravação do material apresentado. São dois arquivos de áudio: o primeiro com um minuto e quatro segundos de duração (este com péssima qualidade); e o segundo, com 12 minutos e 47 segundos.
NA ORIGEM
Apenas a segunda gravação, de acordo com Pedro Valentim, teria relação com a suposta fita que deu origem ao rumoroso caso.
A pedido de Lima Júnior (PSDB), a comissão solicitará formalmente ao denunciante a disponibilização deste primeiro material.
Antes disso, Telma Gobbi (PMDB) havia questionado duramente Valentim sobre esta fita. Ele, contudo, se limitou a declarar que esta gravação “ainda não está pronta”.
Quando o caso veio à tona, o ativista alegou que havia encaminhado o vídeo para uma perícia, com o intuito de descartar a existência de eventuais montagens ou trucagens.
RELUTANTE
Mesmo depois que os vereadores e jornalistas ouviram as gravações disponibilizadas por Valentim, aparentemente produzidas por ele mesmo, o denunciante se recusou a confirmar a identidade de seus interlocutores.
Por serem agentes públicos conhecidos, Roque Ferreira chegou a nominá-los na tentativa, sem sucesso, de que Pedro confirmasse seus apontamentos. Questionado por Lima, Valentim afirmou que as gravações foram produzidas sem autorização judicial. Relator do processo na Comissão de Fiscalização, Moisés Rossi (PPS) afirmou que todas as apurações se darão com cautela e tranquilidade.
OUTRAS INSTÂNCIAS
Como já noticiado pelo Jornal da Cidade, o Ministério Público também apura o caso. Logo que a existência da suposta fita veio à tona, o promotor da Cidadania, Fernando Masseli Helene, instaurou inquérito civil e remeteu os autos à Promotoria Criminal. Como também não recebeu a gravação em vídeo que originou toda a movimentação, Masseli notificou Pedro Valentim a apresentar todo o material que possui sobre o assunto na tarde de amanhã.
A Polícia Civil já possui, desde a semana passada, o conteúdo entregue ontem pelo denunciante à Comissão de Fiscalização e Controle. Os áudios e os documentos foram recebidos pelo presidente do Legislativo, Faria Neto (PMDB), lacrados e levados à Delegacia Seccional de Bauru.