09 de julho de 2026
Polícia

Cabo de alta tensão provoca incêndio e estragos em casa

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Fabiana mostra os estragos na parede da casa da sua mãe

“Não consigo dormir porque estou traumatizada com a explosão”. A frase é da aposentada Maria de Lourdes Moura Masson, 71 anos, que está há 15 dias “no escuro”. Durante o temporal que atingiu Bauru no último dia 22 de outubro, que veio acompanhado de rajadas de ventos de até 68 quilômetros por hora, um cabo de alta tensão (13.800 volts) se rompeu, atingiu a calha da residência dela, na Vila Quaggio, e provocou um estrondo seguido de incêndio.

“Acredito que o cabo se rompeu por falta de manutenção. Eu podia ter morrido”, observa, enquanto aponta para os prejuízos. O curto-circuito fez com que o conduíte (tubo flexível, em metal ou plástico, usado para fazer com que os fios elétricos e cabos passem por dentro da parede) arrebentasse. O telefone - que fica ao lado da cama da moradora - e o interfone da casa chegaram a derreter com o fogo e parte da parede interna do imóvel queimou.

Com os riscos e sem condições de ficar na residência, localizada na quadra 4 da rua Afonso Simonetti, Vila Quaggio (região do Bela Vista), a aposentada foi acolhida pela filha Fabiana Masson, 40 anos, já que a CPFL pediu orçamento de três eletricistas para autorizar o conserto. Os gastos serão ressarcidos após a conclusão do trabalho, mediante apresentação de notas fiscais.

Acontece que o processo é demorado, uma vez que, para cada alteração nas instalações, é necessário autorização da concessionária. “Um eletricista disse que a caixa de energia terá de ser colocada em outro lugar, mas a gente fica de mãos atadas porque nada é resolvido”, revela Fabiana. A CPFL diz que o processo de ressarcimento está evoluindo dentro de prazo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

‘Estou em desespero’

Cansada da demora, Maria de Lourdes retornou para sua residência na noite da última quarta-feira (4), mesmo sem energia. “Estou em desespero. A CPFL não ata e nem desata”, critica a aposentada. Enquanto segue a burocracia, ela se vira como pode à base de velas para iluminar o ambiente.

Ela ainda conta com a boa vontade de vizinhos, que “emprestaram” energia, através de uma extensão, para que a moradora mantenha a geladeira ligada. “Eu perdi tudo que estava em uma das minhas geladeiras. Enchi um saco grande de lixo com vários alimentos”, lamenta a mulher, que chorava enquanto contava seu drama à reportagem do JC.

O episódio ocorreu no dia 22 do mês passado, durante um temporal que deixou 50 mil imóveis “às escuras”, conforme o JC divulgou na época. A aposentada Maria de Lourdes percebeu o problema durante a madrugada, quando dormia. “Escutei o estrondo e senti o cheiro de queimado. Saí correndo para fora, andando sobre detritos no chão”, lembra.

Fabiana foi buscar a mãe e acionou os bombeiros, que desligaram a chave de energia do imóvel. Ambas se dirigiram até a CPJ para registrar um boletim de ocorrência. “Vizinhos me ligaram dizendo que a casa estava pegando fogo. Quando voltamos, um funcionário da CPFL jogava água em meio ao curto-circuito. É evidente o despreparo deles”, critica Fabiana.  

O cabo de energia que se rompeu era de 13.800 volts, informou uma equipe da concessionária à moradora. “Os bombeiros disseram que tanto a minha mãe quanto o próprio rapaz da CPFL poderiam ter morrido. Vou entrar com uma ação contra a empresa”, disse Fabiana.

Dentro do prazo

Em nota, a CPFL Paulista informou que o processo de ressarcimento, aberto no dia 23 do mês passado, está evoluindo dentro dos prazos e regras estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A empresa alega que a manutenção na rede está em dia e diz ter enviado comunicação via carta solicitando os documentos necessários para análise do caso e também que irá realizar vistoria presencial na unidade consumidora da cliente.  

A concessionária esclarece ainda que, em situações climáticas adversas, os principais motivos que levam à falta de energia são ocorrências causadas por fatores externos, como quedas de árvore sobre a rede elétrica, interferência de galhos ou objetos lançados na rede pela força dos ventos, rompimento de cabos também por rajadas de vento e descargas atmosféricas (raios).