Durante este fim de semana o governo vai fazer um monitoramento nas redes sociais e continuará mantendo contato com os diversos sindicatos dos caminhoneiros para verificar qual a verdadeira disposição deles para desencadear o fechamento de estradas no País.
A paralisação dos caminhoneiros está prevista para ser iniciada na próxima segunda-feira, dia nove, em todo o País. As informações que chegaram ao Planalto dão conta de que não há uma unidade no comando do movimento e nem uma disposição da maioria dos caminhoneiros. Por isso, a estimativa é que a adesão da categoria seja baixa.
Mas há uma preocupação grande por parte da presidente Dilma Rousseff com este movimento, que considera ter cunho principalmente político, e que pode provocar desabastecimento no País, justamente em um momento que o governo precisa se notícias boas para reverter a crise que está mergulhado. Há preocupação ainda de que esta greve pode se somar à da Petrobrás que, embora não tenha contaminado a cadeia produtiva da empresa, se ela se estender por muito tempo pode trazer enormes prejuízos, além de provocar problemas na distribuição de combustíveis.
Desde o início da semana, a presidente Dilma Rousseff tem se reunido com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, da Casa Civil, Jaques Wagner e do Trabalho, Miguel Rossetto, para discutir os problemas destas paralisações. Na reunião desta sexta-feira, o ministro da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, também participou. A Secom vai ajudar a monitorar as redes sociais e WhatsApp para ver como está a mobilização da categoria.
Inicialmente as manifestações contra o governo tinham principalmente relação com os grupos dos Revoltados Online, Vem pra Rua e do Movimento Brasil Livre. Mas, algumas das últimas postagens, como a de Henrique Ferla, incita os caminhoneiros a parar as estradas por oito dias, alegando que o governo não cumpriu com as promessas feitas no início do ano.
O caminhoneiro se referia, principalmente, ao pedido para que o governo institua um frete mínimo e unificado em todo o País. O governo alega que há uma dificuldade operacional de colocar isso em prática porque as realidades são diferentes nos diversos pontos do Brasil. Mas alguns dos caminhoneiros defendem que não seja feita nenhuma paralisação agora porque este é o momento de eles conseguirem ganhar algum dinheiro para o fim de ano e que, se pararem agora, a situação ficará ainda mais crítica para a categoria.
Como não há um comando único da categoria, a exemplo do que aconteceu em março, o governo tem dificuldade em saber qual poderá ser verdadeira extensão da greve. Caso o movimento seja mesmo deflagrado, o Ministério da Justiça, mais uma vez, deverá coordenação o acompanhamento da greve, por meio da Polícia Rodoviária Federal.
Mas um grupo de técnicos ligados aos ministérios envolvidos neste acompanhamento ficará de plantão no fim de semana para manter o governo informado sobre o que poderá acontecer. Dependendo das informações que forem repassadas ao Planalto, uma nova reunião poderá ser realizada com a presidente Dilma, para avaliação do movimento. Na reunião de coordenação política da segunda-feira, este será um dos temas da pauta.