Dos 430 feirantes cadastrados para exercer a atividade no município, 15% são jovens com idades até 35 anos. Os dados são da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra).
Alex da Cunha Silva, 27 anos, faz parte desse time de jovens feirantes. Há cerca de cinco meses ele tira o sustento da família com a própria banca. Antes, ele era funcionário de outros feirantes. Somando tudo, sua experiência de feira em feira equivale a cerca de um ano.
Embora pareça pouco tempo, Alex garante que já consegue faturar o suficiente para viver bem com a esposa e os três filhos. “Eu pego os produtos direto com os produtores. Se a pessoa trabalhar com dedicação, esta é uma profissão rentável. É bem corrido, mas estou satisfeito”, afirma.
Alex, ao contrário dos demais personagens da reportagem, não herdou a profissão dos pais ou avós. Por ser mais jovem que a maioria dos colegas de trabalho, ele diz sentir algumas dificuldades. Uma delas é a clientela fixa, que precisa ser conquistada com o tempo.
“Quem trabalha há bastante tempo tem sua clientela garantida. Os mais jovens precisam ganhar no preço e na conversa boa. Aos poucos tudo vai se ajeitando”, confia.
Jovens ‘investem’ na profissão
Embora em menor número, as barracas encabeçadas por jovens ainda estão presentes nas feiras. A maioria delas oferece itens produzidos nas propriedades rurais das famílias dos feirantes.
Anderson Lopes tem 22 anos e há três meses trocou a profissão de mecânico pela de feirante, com a ajuda do sogro, Nadir Pini. Além de vender nas feiras, o jovem incentivou o sogro a aumentar o plantio no sítio.
“Trabalhamos com verduras hidropônicas. Eu estou gostando muito desse trabalho. Aprendo bastante com meu sogro e quero aprender a cada dia mais”, comenta, enquanto Nadir acrescenta que a força do jovem vem para somar.
Por necessidade e opção
Aos 24 anos de idade e desempregada, Tatiane Pereira de Andrade decidiu adotar a profissão do pai. E ela garante que tem gostado do resultado.
“Meu pai é produtor rural e há 10 anos atua como feirante pelos bairros da cidade. Há alguns meses a nossa dinâmica mudou um pouco. Agora ele produz e eu vendo. Eu tenho gostado desse ofício e pretendo continuar”, narra.
Jovem e bonita, a feirante conta que desperta a curiosidade de alguns clientes: “Educadamente, as pessoas perguntam como uma moça bonita veio parar na feira, entre caixotes, e sozinha. Eu acho graça e não me incomodo com as perguntas. É um trabalho bem bacana e eu faço com prazer”, defende.
Para presidente da AFB, 15% é pouco
O presidente da Associação dos Feirantes de Bauru (AFB), Moisés Bastos, acredita que a porcentagem de feirantes jovens (15% com idades até 35 anos, segundo a Sagra) é um número baixo. Para ele, a profissão pede sacrifícios, mas é rentável.
“Muitos pais querem que seus filhos sigam a profissão de feirante e produtor, mas os filhos querem outros caminhos. Eu, por exemplo, tenho um filho que é mecânico e outro que quer estudar biologia. Muitos deles ajudam os pais até um certo ponto e depois seguem seus próprios caminhos”, enumera.
Segundo Bastos, uma boa alternativa para incentivar os filhos de feirantes a seguirem a profissão pode ser a aplicação de cursos do tipo “jovem aprendiz”, voltados para os filhos dos pequenos produtores.
“Eles poderiam ensinar a plantar, colher e vender. É uma oportunidade do jovem ver um filão na própria propriedade dos pais, que é sua herança. Já tivemos cursos assim no município e surtiu resultados. Mas vale lembrar que é importante seguir a profissão que faz a pessoa feliz”, enfatiza.