| João Rosan |
| Já em Bauru, ela explica técnica em que customizou imagem de quadro com aplicações de materiais reflexivos e pedrarias |
A artista plástica bauruense Viviane Mendes acaba de voltar para casa, depois de 10 dias em Paris, na França. Na sedutora Cidade Luz, ela deixou 20 dos seus gatos coloridos.
Não aqueles que ela adotou e vivem em harmonia entre quadros e cachorros no seu ateliê, e sim os que pintou com sua técnica inconfundível.
Em sua primeira ação de arte urbana, idealizou o projeto “#vivietleschats em Paris”, em parceria com a amiga Fernanda Hinke, também de Bauru, que mora na capital francesa.
O trabalho foi registrado em fotos e através de um vídeo pela ‘’Águas de março filmes’’, que deve lançar internacionalmente o conteúdo no próximo mês.
Ainda rouca graças à baixa temperatura nas ruas parisienses, Viviane recebeu a reportagem do Jornal da Cidade em sua casa-ateliê para partilhar essa experiência.
Espalhar...
Há muito tempo Viviane sonhava levar seu trabalho para outros espaços. “Sempre enfrentei dificuldades pelo tamanho das obras e pela minha técnica de colagens, que não permite que a tela seja enrolada para facilitar o transporte. Outra dificuldade é ter uma galeria de arte que me represente, pois costuma esse ser um ambiente hostil e demasiadamente elitista”.
Por isso, esse ano ela criou sua própria galeria na calçada, quando iniciou o projeto “Arte na rua”. “Diante do sucesso dessa atitude que aproxima as pessoas da arte, fiquei pensando em uma maneira de levar minhas obras para fora do Brasil”, relembra Viviane.
Das conversas com a amiga Fernanda Hinke, que organiza passeios noturnos de bicicleta em Paris, surgiu a ideia de espalhar os gatos pelas ruas das 20 regiões parisienses.
A técnica utilizada foi a decupagem. Viviane fez uma foto em alta resolução do quadro “O gato” e customizou 20 reproduções da imagem, aplicando em cada uma delas diferentes cores e materiais reflexivos. O olhos foram destacados com pedrarias. O efeito é surpreendente.
“Além do mais, essa ideia ‘amarra’ com Paris, a cidade do ‘le chat noir’. Levei gatos coloridos, bem brasileiros para a cidade do gato preto”, reforça ela, uma apaixonada por gatos de todas as cores e tipos.
Arte urbana
Viviane não é uma artista das ruas, mas esse projeto representa “um grito, um desabafo”, sobre a restrição das galerias de arte.
De acordo com ela, a arte urbana é caracterizada por ser efêmera. Por isso, o artista precisa exercitar o desapego e adestrar o ego. “Pode ser que tenham pichado por cima, colado cartazes de publicidade... O que importa é que eu fiz, foi documentado e eternizado”. Mesmo não sendo proibida, cada aplicação foi executada rapidamente para evitar contratempos. “Na hora só me concentrei no meu trabalho e em deixar uma boa energia ali. Senti muita gratidão por tudo isso estar no meu caminho”.
O projeto foi planejado, porém a artista não sabia o que era cada muro presenteado com sua arte. “Tomei muito cuidado para não agredir o patrimônio alheio. Espalhei meus gatos em locais onde a street art é uma característica como o bairro de Bellville, em locais inusitados, embaixo de pontes e becos, onde gatos gostam de ficar!”, explica, lembrando que deixou sua marca também na Rue Denoyez, considerada a Meca do grafite em Paris.
“Pode ser que poucas pessoas percebam minha arte, mas quem tiver olhos para ver, verá. Afinal, a arte pertence a quem ela toca”, conclui. Pelo jeito tem gente vendo, sim, já que as obras foram assinadas e ela já recebeu contatos pela Internet de apreciadores do trabalho.