| Aceituno Jr. |
| Advogado do sindicato, Júlio Fogaça ouve reivindicação do técnico de enfermagem Dalmir Pereira |
Uma reunião tumultuada e de ânimos exaltados terminou por suspender a greve que teria início na noite dessa terça-feira (10) por iniciativa de alguns funcionários vinculados aos principais hospitais públicos de Bauru. A comissão que defende os interesses destes servidores, formada por dissidentes do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru (Seessb), informou que uma nova assembleia deverá ser marcada para que a categoria possa decidir sobre uma futura paralisação.
A intenção é de que este encontro seja agendado depois da mesa-redonda que será realizada no dia 16, na gerência regional do Ministério do Trabalho em Bauru, entre o Seessb e a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), administradora de quatro hospitais da cidade e do Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Nesta reunião, o sindicato informou que irá iniciar negociações com a finalidade de firmar um acordo coletivo para garantir o reajuste salarial de 8,42%, outros direitos já conquistados pelos trabalhadores e, ainda, avançar em benefícios.
“É uma questão de honra. Sei que muitas pessoas estão magoadas por algumas situações, mas peço um voto de confiança. Vamos provar que nenhum acordo com perdas de direitos será assinado”, assegura a presidente do Seessb, Vera Lúcia Salvadio Pimentel.
O apelo da dirigente foi provocado pela revolta generalizada que tomou conta do auditório do Hospital Estadual, onde a reunião com os servidores – inclusive os dissidentes - foi realizada, ontem. A maioria se mostrava descontente com o fato de o sindicato ter assinado uma convenção coletiva com o Sindicato das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo (Sindhosfil), entidade a qual a Famesp é filiada, sem consultar a categoria.
‘Desgaste’
Por esta convenção, os funcionários perderiam benefícios, com retirada do vale-transporte intermunicipal e redução do valor do adicional noturno e de folgas noturnas (de três para duas no mês). Na reunião, os servidores, inclusive, alertaram para o fato de as escalas de trabalho com a diminuição de folgas já terem sido divulgadas e implantadas pelos hospitais.
“Agora, por omissão e erro do sindicato, que assinou uma convenção sem o conhecimento de ninguém, teremos de negociar no Ministério do Trabalho direitos que já eram nossos. É um desgaste que poderia ter sido evitado”, reclama o técnico de enfermagem do Hospital de Base Dalmir Pereira. Assim como ele, diversos funcionários argumentaram que a convenção, cujos termos são menos vantajosos em relação ao acordo coletivo até então vigente, não deveria ter sido acatada pelo Seessb sob o pretexto de “antecipar a garantia de direitos mínimos aos trabalhadores”.
Assessor sindical, Edson Nunes Sobrinho alegou que a Famesp agiu de “má-fé” ao ter, supostamente, assegurado que nenhum benefício trabalhista seria alterado até a assinatura do acordo coletivo individual com o sindicato. “Mas a fundação terá de devolver esses direitos, porque o que prevalece é o acordo. E, se não houver consenso, iremos a dissídio e protocolaremos uma ação de cumprimento para que o acordo antigo seja mantido até o final do processo”, informa.
Devido ao adiantado da hora, a assessoria de imprensa da Famesp não foi localizada para comentar as acusações. Advogado da comissão de funcionários, Hudson Chaves informou à reportagem que foi impedido de acompanhar a reunião.