11 de julho de 2026
Cultura

Emoção de ver Legião Urbana 2015 remete a show de 1990

Rose Araujo, Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução/Youtube
André Frateschi à frente no palco em retorno para shows carregados de carga emotiva
Da esquerda para a direita: Adriana Alves, Claudia Trzwikowski, Elaine Delprá, Cintia Guberovic, Adriana Campanudo Arice e Rose Araújo

De repente, 15 anos de novo! Foi assim que me senti na noite do último sábado (7). Aos 40 peguei uma nave e pousei em 1990, mais precisamente no dia 12 de agosto, no Parque Antárctica. Foi lá que vivi uma das grandes emoções da minha adolescência: o show indefectível do Legião Urbana. Esse teletransporte foi feito ali no Espaço das Américas, onde aconteceu o show “Legião Urbana – XXX anos”, turnê recém-começada em homenagem aos 30 anos do lançamento do primeiro disco da banda.

Junto comigo, um bando de 5 meninas, amigas que acompanham minha jornada de vida há mais de 25 anos e que também estiveram no show memorável do estádio do Palmeiras.

Sim, fizemos um grande reencontro exatamente ali, em frente ao palco da banda mais cultuada da nossa vida.

Renato Russo diria: “Sei que às vezes uso/Palavras repetidas/Mas quais são as palavras/Que nunca são ditas?”. Então, não tenho vergonha de usar clichês: o primeiro grande show da minha vida se repetiu em emoção na noite deste sábado. Poder reviver os maiores sucessos do Legião, juntamente com as minhas melhores amigas da época de escola foi oportunidade repleta de nostalgia e felicidade.

Estavam lá no palco, pertinho de nós de novo: Dado Villa Lobos, Marcelo Bonfá e (por que não acreditar?) Renato Russo. Ao contrário de 1990, quando tínhamos uma ansiedade sem freios e não aguentamos esperar pela hora do show em casa (chegamos ao Parque Antárctica às 11h, quando o evento seria somente às 20h), desta vez nos reunimos na casa de uma das amigas e fizemos um happy hour sem pressa (são as boas novas que a maturidade nos traz).

Marcante

Bate um nó 

na garganta e saudade do Russo, esse Renato inteligente e cheio de brilho

Mas isso teve seu preço! Sabe como é São Paulo... trânsito até na noite de sábado. Ficamos presa no carro por mais de uma hora e meia até conseguir chegar ao nosso destino. Dá nada não! Fomos ouvindo as músicas da banda e relembrando nossa linda juventude.

O novo show foi um desfile encantado de sucessos. Começando com “Será”, passando por “A Dança”, “Ainda é cedo”... Depois vieram “Soldados”, “Teorema” e “Por Enquanto” (esta não nos contivemos e cantamos abraçadas: “Mas nada vai conseguir mudar o que ficou/Quando penso em alguém só penso em você/E aí então estamos bem...”).

O som era eletrizante e desta vez as letras tinham um significado ainda maior. Ou será que era o peso da experiência que nos ajudava a ter outra leitura das mensagens? Seja o que for, foram mais de duas horas de show em que cantamos do início ao fim.

Embora a cabeça ainda insistisse em ter 15 anos, o corpo já não respondia com tanta energia. Dançamos sim, mas era preciso água de vez em quando para aguentar o pique. Os 40 são anos justos, porque eles ainda nos dão um tanto assim de vitalidade, mas agora com o juízo afiado.

O choro veio em “Monte Castelo”, pois essa canção sempre me trouxe memórias vivas da apresentação do Parque Antárctica. Nó na garganta e saudade do Russo, esse Renato inteligente e cheio de brilho, que não estava ali de corpo presente para dançar daquele jeito que só ele sabia.

André Frateschi é ótimo! Segurou o espetáculo, com muita presença de palco. Mas nada como ver Dado e Marcelo Bonfá dominando o microfone. Afinal, esse mundo é deles! E dos filhos deles também, que chegaram ao palco para tocar “Pais e Filhos” (nessa hora buscamos a força lá do peito para gritar “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”!).

De todas as minhas preferidas, só “Eduardo e Mônica” não foi tocada. Tudo bem, sem problema! Afinal, eu já estava inundada dos anos 90, dos meus 15 anos e com aquele mesmo sorriso de menina! Valeu, Legião!