| Aceituno Jr. |
| Rossi esteve em Bauru em janeiro de 2012, na inauguração da sede da sucursal da Bradesco Auto/RE, ocasião em que a equipe do JC o fotografou e ele concedeu entrevista |
Cotado para assumir a presidência do Bradesco em 2017, Marco Antônio Rossi, 54 anos, atrás dos ternos e gravatas de executivo, era um amigo fiel, companheiro, engraçado, pessoa simples e batalhadora. Assim ele é descrito por amigos que acompanharam sua trajetória de vida desde o primeiro cargo no banco em Bariri (56 anos quilômetros), sua cidade natal, até a superintendência em Bauru e, posteriormente, até São Paulo, onde assumiu a diretoria e vice-presidência de um dos maiores bancos privados do País. Em Bauru, Marco chegou a morar por até cinco anos em duas repúblicas no Centro, na quadra 6 da rua Azarias Leite e quadra 7 da Gerson França. As informações são de dois amigos pessoais e de longa data de Rossi, Valdir Canal, 56 anos, e Henrique Perazzi de Aquino, 55, que lamentavam a morte nessa quarta-feira (11).
Marco Antônio Rossi era um dos quatro ocupantes da aeronave do Bradesco que caiu por volta das 20h de anteontem em uma fazenda do município de Guarda-Mor, em Minas Gerais, divisa com Goiás (leia mais na página 22).
Em Bauru, em janeiro de 2012, para a inauguração da sede da sucursal da Bradesco Auto/RE, especializada na operação de seguros de veículos, residências e empresas, Marco Rossi concedeu entrevista ao JC, em reportagem que versava sobre o crescimento econômico do mercado de seguros tanto em Bauru quanto no Brasil.
‘Legado de dedicação’
Filho de imigrantes italianos, nascido em 7 de março de 1961, “Marcão”, como era chamado carinhosamente por alguns amigos mais antigos em Bariri, era casado, pai de quatro filhos, duas mulheres e dois homens, gêmeos.
“Moramos juntos por cinco anos em uma república em Bauru, em que meu irmão também morava. Éramos muito companheiros, ele foi meu padrinho de casamento, a esposa dele também é de Bariri. Os gêmeos dele fizeram aniversário hoje (ontem), inclusive, uma triste coincidência para todos”, lamenta Valdir Canal, amigo de Rossi, que atua no ramo imobiliário em Bauru.
Também de Bariri, Canal conta que conhecia Rossi desde menino, época em que trocavam chuteiras em partidas de futebol de salão na cidade.
Esporte descrito como uma das maiores paixões de Marco Rossi nos raros horários de folga. “Ele era corintiano fanático. Nos falamos por telefone e marcamos de assistir um jogo em São Paulo juntos, recentemente, mas ele não pôde ir por causa de um congresso. Era um profissional dedicado desde a época em que entrou. Vivia o banco 24 horas por dia”, lembra Canal. “Na época em que trabalhávamos juntos em Bauru, ele não queria que eu saísse do banco. Lembro-me dele falando que um dia iria chegar à diretoria, e chegou”, completa.
AMIZADE
Lembrança compartilhada também por Henrique Perazzi de Aquino, que conheceu Rossi em 1980, ano em que entrou para o antigo Bradescor, uma correta de seguros do banco na época.
“Ele trabalhava na previdência privada. O Marco era um garotão alegre, jovial, desses que você bate o olho e vira amigo na hora. Nos tornamos amigos, viajamos muito juntos pelas estradas. Depois, nos tornamos supervisores, ele vendendo previdência e eu seguros de vida e auto. Bauru era sede regional do banco e convivíamos no mesmo espaço, no terceiro andar da agência recém-construída, ali na Ezequiel Ramos. Anos depois, saí do banco e o Marco continuou”, conta Aquino, que abandonou o terno e gravata, na época, para iniciar carreira como jornalista e se formar em história.
Em seu último encontro com Rossi, em 2012, oportunidade em que o executivo esteve em Bauru, Aquino diz que chegou a rever o amigo. “Trocamos um abraço e ele me disse que, se não fosse a barba, eu estaria do mesmo jeito. Foi rápido, pois ele estava com vários executivos, e eu ali de alpargatas. Na despedida, ele disse que podia procurá-lo se precisasse de algo do banco”, acrescenta.
“Mas, o que sempre vou lembrar mesmo é do ‘Marcão’ moleque lá de Bariri, caipira como eu”, finaliza Henrique Perazzi de Aquino, em tom de saudade.
Trajetória e formação
Marco Antônio Rossi formou-se em tecnologia em gestão de marketing pela Universidade Paulista, onde também fez pós-graduação em gestão de clientes. Fez MBA em Altos Estudos de Estratégia e Geopolítica, pela Faculdade Armando Álvares Penteado. Rossi atuava há 34 anos na Organização Bradesco. Em janeiro de 2012, foi eleito diretor vice-presidente executivo do banco, ocupando o segundo mais alto cargo no escalão do banco. Ele era o sucessor natural de Luiz Carlos Trabuco na presidência da empresa.