Uma criança de 8 anos tomou uma atitude de adulto por medo de que o pior ocorresse. O menino acionou a Polícia Militar (PM), nessa quarta-feira (11), na região do Parque São Geraldo, em Bauru, porque se assustou diante de uma briga entre os avós. Contudo, a situação já havia sido resolvida quando a viatura chegou ao local. Para psicóloga, apenas os conflitos que não são solucionados levam ao trauma infantil.
Segundo a avó, de 58 anos, que pediu para não ser identificada, o garoto, cuja identidade será preservada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), estava em frente à residência do casal, por volta das 12h50 de ontem, esperando o pai levá-lo até a escola. Nesse momento, ele ouviu a exaltação do avô, de 61 anos, que teria ficado agressivo após passar por uma crise de hipoglicemia.
Assustada, a criança teve uma atitude bastante madura: utilizou um celular para acionar a PM, que chegou quando o garoto já havia sido levado até o colégio. Como o conflito estava resolvido, a polícia encerrou a ocorrência como uma desinteligência e não chegou a ir até a Central de Polícia Judiciária (CPJ). A avó acrescenta que o marido ficou agressivo pela primeira vez e que o casal não costuma brigar.
Em relação à maturidade do neto, a avó comenta que a criança é orientada a acionar a PM ou o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) quando algo fugir da normalidade. “Essa geração também é muito esperta”, brinca. Já a psicóloga escolar Marisa Meira acredita que essa atitude não seria necessariamente um problema, porque a criança chamou a polícia para ajudar.
Longe do ideal
Marisa Meira chama a atenção para o fato de que os conflitos fazem parte da vida humana, que não é aquela maravilha retratada pela publicidade. “Na vida real, os conflitos ocorrem várias vezes e de maneiras diferentes. Esses conflitos podem gerar confrontos, ou seja, levar às violências física e verbal. Situações como essas podem causar impacto junto à criança”, justifica a psicóloga.
Todavia, Marisa abre uma ressalva. “Se a criança pertence a uma família acolhedora e as brigas ocorrem ocasionalmente, essas situações são mais fáceis de serem absorvidas. Portanto, não são fatores suficientes para provocar um trauma na criança”, frisa. Mesmo nesses casos, a psicóloga aconselha os responsáveis a conversar com os pequenos e explicar que “a vida não é feita de paz permanente”.