10 de julho de 2026
Nacional

São Paulo já tem seis escolas ocupadas por alunos

Estadão Conteúdo e Agência Brasil
| Tempo de leitura: 4 min

Chegou a seis o número de escolas ocupadas por estudantes paulistas contra a projeto de reorganização das escolas estaduais, que será implantado no início do próximo ano em todo o estado. O projeto, da Secretaria de Educação, prevê o fechamento de 94 unidades e a transferência de cerca de 311 mil estudantes para escolas da região onde moram. O objetivo, segundo a secretaria, é segmentar as escolas em três grupos (anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio), conforme o ciclo escolar.

Além da Escola Estadual Fernão Dias Paes - localizada na Rua Pedroso de Moraes, em Pinheiros, na zona oeste, ocupada desde terça-feira (10) por um grupo de alunos -, cuja reintegração de posse foi determinada pela Justiça e deve ocorrer hoje (13) ou amanhã, mais duas escolas da capital e três da região metropolitana de São Paulo foram ocupadas por estudantes nesta semana.

Nesta quinta-feira (12), jovens contrários à proposta do governo do estado ocuparam as escolas Salvador Allende, no bairro José Bonifácio, região de Itaquera, zona leste da capital, e Castro Alves, na Vila Mazzei, zona norte. Além dessas, mais duas unidades estaduais, a Escola Professora Heloísa de Assumpção, localizada em Quitaúna, na cidade de Osasco, e a Valdomiro Silveira, em Santo André, no ABC paulista, tiveram as dependências ocupadas.

A primeira unidade ocupada na Grande São Paulo foi a Escola Estadual Diadema, localizada no município de mesmo nome, no ABC paulista. Os alunos se instalaram no local na noite da última segunda-feira (9).

 

 Rovena Rosa/Agência Brasil
Protesto de alunos em frente a Escola Estadual Fernão Dias Paes contra a reorganização das instituições de ensino proposta pela Secretaria Estadual de Educação

A medida liminar obtida pelo governo vale para todas as escolas da capital - também houve ocupações em unidades na Vila Mazzei, na zona norte, e em José Bonifácio, zona leste. A Procuradoria-Geral do Estado não informou como vai atuar sobre as ocupações em outras cidades - há uma unidade tomada em Osasco e outra em Diadema.

Na quinta, por volta das 19 horas, o oficial de Justiça chegou à escola em Pinheiros para intimar os alunos sobre a ordem de reintegração e propôs uma audiência de conciliação com um representante da Secretaria da Educação do Estado (SEE). Os alunos aceitaram a proposta e devem comparecer à audiência, marcada para a tarde desta sexta-feira, 13.

Segundo a defensora pública Mara Renata da Mota Ferreira, que vai acompanhar a audiência, os alunos que forem não poderão retornar à escola. A SEE não confirmou se também irá o secretário Herman Voorwald. 

"A gente acha que nossa discussão é política e não jurídica. Mas vamos na reunião só porque se trata da nossa saída com um pouco mais de segurança, porque há risco de abuso e tudo o mais", disseram os alunos, em um pronunciamento. 

Nas outras duas escolas da capital, não houve intimação até o começo da noite. No colégio da zona leste, alunos disseram que o movimento tem a participação de simpatizantes de outras unidades e da comunidade.

A SEE informou que houve aulas normais em três dos cinco colégios. A pasta disse não ter registro de ocupação em Osasco - o que foi confirmado pela Polícia Militar (PM). As tentativas de negociar, disse a SEE, não tiveram sucesso. Ela afirmou ainda que reconhece o direito à livre manifestação, mas não "compactua com movimentos político-partidários".

Retorno

Apesar do cordão de isolamento da PM no entorno da Fernão Dias e da proibição da entrada de qualquer pessoa, ontem à tarde três alunos que já haviam saído foram vistos novamente dentro do prédio. Ao longo do dia, os policiais tentaram endurecer a vigilância e até mesmo impediram uma mãe de entregar uma sacola de roupas para a filha, há três dias na escola.

No fim da tarde, quando chegou o oficial, houve confusão e a PM agrediu manifestantes com cassetetes e spray de pimenta. O tumulto começou após um homem, que passava pela rua, ser abordado pelos policiais, o que revoltou os manifestantes. A Força Tática foi acionada e o homem liberado, após revista. 

A capitã da PM Cibele Marssolo afirmou que a suspeita é de que ele levasse gasolina, o que não se confirmou. Ela defendeu a postura dos policiais. A ação, de acordo com ela, evitou danos maiores a todos.