08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A vida e seus absurdos...

Dorival Bernini, 22 anos - estudante de psicologia
| Tempo de leitura: 1 min

Ontem de manhã, quando parei para atentar-me à capa do JC, minha revolta e minhas lágrimas caíram junto àquelas palavras de desespero do pai que perdeu seu filho esfaqueado. Motivo? Um celular. Talvez eu possa sentir o quanto o coração dói desse pai, talvez eu possa sentir o choque desse pai em ver seu fruto, toda sua dedicação, todos seus cuidados, toda água regada, proteção contra o sol, tudo indo embora...


De repente... De uma hora para outra. Para esse pai eu sei que a revolta é grande, para essa família eu imagino o quanto é enorme essa dor. Mas quero dizer para não se sentirem culpados. Mas podem e devem sentir essa dor. Aliás, essa dor é compreensível de ser sentida. Não aceitem um ‘tudo vai passar’, ou ‘uma hora o tempo ameniza’. Não aceitem dizer também que ‘Deus sabe de todas as coisas’ ou que ‘Tudo tem seu propósito’ – Isso não alivia a dor de ninguém! Não estou aqui para julgar e sim para falar que eu estou sentindo essa mesma dor junto com essa família. Acredito que agora o melhor a se fazer é não procurar os “porquês”, é apenas aceitar, chorar tudo que precisa ser chorado, lamentar tudo que precisa ser lamentado, mas não esquecer que a vida segue...


Coisas ruins acontecem com pessoas boas, porque a vida não distingue quem é bom ou mal, porque a vida acontece em seu absurdo jeito, não há culpados nisso tudo, nem Deus, nem vocês e nem nós. A dor pode estar grande, mas vocês não estão sozinhos, hoje choramos junto com tudo isso, hoje, tenham certeza, que alguém compreende vocês.