| Arquivo pessoal |
| Patricia Kunyasi, Anielle Loli e Marina Dionysio de Souza, que é bauruense, moram juntas no posto 9, em Paris, perto dos locais atingidos pelo atentado |
O vai e vem estridente de uma placa publicitária. Esse é o único barulho que a bauruense Marina Moraes Dionysio de Souza, 24 anos, está ouvindo nas proximidades do apartamento que divide com duas amigas, na região central de Paris. Há quatro meses na capital francesa, a jovem relata que o clima é de silêncio e luto um dia após um atentado terrorista que tirou a vida de mais de 150 pessoas.
Marina conversou com o JC por telefone, nesse sábado (14), às 17h (horário de Brasília), e relatou que não saiu de casa desde a tragédia, porque a recomendação é de que os moradores só coloquem os pés para fora em casos de extrema urgência. “Os canais abertos falaram sobre o atentado o dia inteiro. Contudo, ainda não se discute política, só estamos revivendo tudo o que ocorreu ontem (na última sexta-13)”, narra.
A jovem, que faz mestrado em design na Unesp de Bauru e aderiu ao programa Ciência Sem Fronteiras, afirmou que poucas pessoas estão nas ruas e só algumas lojas do comércio permanecem abertas. Há quem ouse, ainda, ir até a Praça da República ou aos locais atingidos pelos atentados para prestar homenagens às vítimas com velas e flores. “Os grupos se reúnem rapidamente, porque a polícia já os orienta a voltar para casa”, acrescenta.
Embora assustada, a irmã de Marina, a médica veterinária Mariana Moraes Dionysio de Souza, 29 anos, viajará a Paris hoje à noite, porque já havia combinado de visitar a jovem desde que ela partiu para a capital francesa. “Minha viagem já estava programada para este mês. Liguei para a agência e fui informada de que os voos não foram cancelados. Violência tem em todo o lugar, mas o que assusta um pouco é o motivo, que, no caso de Paris, é o terrorismo”, defende.
Há quatro meses em Paris, Marina conta que passou por momentos de pânico no dia do atentado terrorista. Sem saber o que acontecia, ela saiu de casa para entregar uma chave a um amigo. Quando deixou o metrô, viu gente correndo, mas pensou que era algo semelhante a um assalto a banco. “Eu passei pela rua da casa de shows Bataclan por volta das 22h20 e ouvi os tiros. Entrei em uma pizzaria e fiquei escondida no porão por duas horas”, revela.
Em seguida, Marina foi até a casa de um amigo francês, que a levou de volta ao apartamento onde reside, na região central de Paris. O local, inclusive, fica a 30 minutos a pé dos pontos afetados. “Eu moro perto de tudo, no distrito 9, sendo que os atentados se deram nos postos 10 e 11”, descreve. Para Marina e o restante dos moradores da capital francesa, resta esperar por dias melhores em meio à escuridão que tomou conta da Cidade Luz.