08 de julho de 2026
Articulistas

Vida longa à vida

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Fica difícil entender explosões em nome de Alá – cujas regras de vida (não de morte) foram reveladas a Maomé por um anjo. A vontade de Alá/Deus é a de trucidar? Não. A tarefa de entender, contudo, fica menos complexa quando perguntamos qual o combustível de tanto terror: fanatismo, claro, com o aditivo da selvageria.


A grande guerra do momento já estava em curso antes do 11 de setembro francês ocorrido anteontem. Desde que a França passou a integrar, neste ano, ataques ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque como parte da coalização capitaneada pelos EUA, era mesmo de se esperar o pior. Uma bola de neve cujo desfecho é a dor.


Um sinal do ódio em solo francês já havia sido dado com a carnificina na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro, na mesma Paris recém-abalada. O negócio dos radicais é desestabilizar para repercutir; propagar o desespero coletivo para ascender.


Um ponto especificamente é assustador nessa escalada: a direta participação de jovens (inclusive ocidentais) à “causa”. São jovens os artífices dessa apenas aparentemente caótica, mas muito bem orquestrada, execução do mal.


Aliás, é sabido que grupos terroristas adoram exibir  imagens de crianças em treinamentos de tortura, morte e ostentação. O terror fica longe do fim na medida em que essas mesmas crianças crescem dispostas a tudo supostamente em nome do islã (obediência total a Alá). E é aos jihadistas (defensores da “violência necessária” para impor sua “verdade”) que se aproximam ocidentais cooptados por grupos islâmicos que prometem tempestades.


Alguns desses jovens se arrependerão e retornarão para suas famílias, mas outros tantos serão os homens-bomba guiados por algo que julgam louvado. Como evitar que se deixem fascinar pelo conto do vigário dos extremistas? Sou do tempo em que ficávamos chocados com ataques nos anos 80 que matavam três e feriam dois. As dimensões da fúria explosiva, hoje, vão muito além disso.


Alguém ontem, creio que na embaixada da França em frente ao Central Park, em NY, deixou a seguinte mensagem, ao lado de flores e velas: “Vida longa à vida”. É o desejo ao qual, às vésperas do Natal, devemos nos apegar. Radicalmente.


O autor é editor executivo do JC