Apresentei na Câmara Municipal 3 fitas de mídia áudio materializadas por mim em que a vice-prefeita, vereador e assessor parlamentar, comentavam sobre suposto esquema de propinas em doações e concessões de áreas municipais para empresários. Fui brutalmente achincalhado por alguns vereadores da Câmara Municipal em seus discursos na última Sessão Legislativa. E na coluna “Entrelinha” do Jornal da Cidade teve parlamentar que chegou a dizer que minhas denúncias não eram sérias e que a Câmara “tinha assuntos mais relevantes para tratar. E setores da sociedade (cujo trabalho investigativo que faço sempre incomodou) já ensaiavam me desqualificar e me despersonalizar.
Mais o tempo é o senhor da razão e Jesus Cristo não deixa aqueles que o veneram nem confundidos e muito menos envergonhados. Um empresário em depoimento na última sexta-feira, na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal de Bauru, afirmou que um funcionário da Prefeitura teria cobrado dele uma propina de R$ 10 mil em troca da liberação de uma área no Distrito Industrial para viabilização de uma oficina de plataformas de guincho. Com certeza essa informação chegará ao Ministério Público, à Polícia Civil que já apuram os comentários de propinas que há algum tempo se escutam nos bastidores sociais e políticos de nossa cidade e, agora, começam a se tornar público.
Quanto à fita de vídeo, que reforçaria ainda mais o suposto esquema de propinas, ela existe e cheguei a assisti-la e com a promessa de um interlocutor de um dirigente partidário de me entregar cópias no máximo em 48 horas... No entanto por precipitação (às vezes erro porque sou ser humano) de eu ter comentado sobre esse vídeo na Câmara, o assunto acabou se espalhando e tornou-se público através de matéria do Jornal da Cidade. Isso assustou o interlocutor, que acabou não voltando. Mas ainda tenho esperanças que isso possa acontecer.
Mas também se não fosse a matéria do jornal e eu ter dito como estratégia de investigação jornalística (e não mentira) que já estava com a posse do material, jamais conseguiria gravar políticos falando sobre esse suposto esquema de propinas em doações de áreas em Bauru. E que culminou com a delação desse empresário agora. Ou seja, a estratégia deu certo!
No mais continuarei fazendo, com mais acertos do que erros, o meu papel de fiscalizador para que se cumpra em nossas instâncias públicas os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade contidos no artigo 37 da Constituição Federal.
PS - As escolas de samba e blocos carnavalescos, a partir de 2016, terão que prestar contas do dinheiro público recebido da Prefeitura de Bauru para desfilarem no evento. Faz anos que não se tinha essa exigência, mas devido a representação de nossa autoria no Ministério Público, será exigida mais transparência a partir de agora.