09 de julho de 2026
Esportes

Outro "teste de fogo"

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

Em sua segunda partida na história pela Superliga, o Concilig/Bauru encara o supertime do Rio de Janeiro, atual tricampeão e maior vencedor da competição, com dez títulos. O teste de fogo para a equipe bauruense começa às 19h30, no Ginásio da Panela de Pressão. Estreante na Superliga, o Concilig busca surpreender o adversário, que e é apontado como um dos principais postulantes ao título, e conquistar sua primeira vitória - na primeira rodada perdeu para o Osasco, em Bauru. Já o Rio de Janeiro bateu Valinhos na estreia.

Aceituno Jr.
Antigos companheiros de trabalho, os técnicos Bernardinho, do Rio de Janeiro, e Chico dos Santos, do Concilig Vôlei Bauru, se reencontram no Panela de Pressão

O técnico do Concilig, Chico dos Santos, que reencontra o amigo Bernardinho, de quem foi assistente técnico na seleção brasileira por mais de uma década (leia mais nesta página), buscou corrigir falhas observadas no tropeço por 3 sets a 0 diante de Osasco na primeira rodada. “Treinamos muito para melhorar o bloqueio e defesa, que não foram bem contra Osasco”, explica. Santos contou com uma fonte de informação privilegiada: a oposta Bruna Honório, que defendia o Rio de Janeiro e conhece bem o elenco carioca. “Fiquei três anos lá e sei algumas coisas. O ataque e o bloqueio são as grandes características deles. As centrais chegam muito inteiras e não podemos baixar o ataque nelas porque vai voltar”, alerta.

Honório também receita paciência e atitude para encarar o forte elenco do Rio de Janeiro, repleto de “estrelas” como a líbero Fabi e a ponteira Natália, campeãs olímpicas, e a levantadora norte-americana Courtney Thompson, medalhista de prata, e comandado pelo multicampeão Bernardinho. “Elas têm jogadoras de alto nível e precisamos ter calma e pensar que tem que jogar de igual para igual. Senão, elas vão abrindo dois, três pontos e fica difícil buscar”, analisa. A oposta, por outro lado, destaca que a responsabilidade de vitória pesa mais para o lado do Rio de Janeiro. “Eles têm que fazer a campanha boa como todos os anos, a cobrança é maior. A gente tem que tirar os pontinhos, ir buscando”, declara.

Bernardinho admite que o Rio de Janeiro sempre entra pressionado a vencer e considera a situação normal pelo histórico da equipe. Mas salienta que é preciso ratificar o favoritismo em quadra. “Nosso projeto tem 18 anos e esta história traz uma pressão. Mas ali dentro (quadra) você tem que fazer o melhor, tem que chegar e provar a cada dia. O fato de termos vencido no ano passado não garante nada. Não há superfavorito”, analisa. O técnico ressalta as qualidades do Concilig. “Enfrentaremos um time que como instituição é novo, mas tem jogadoras com uma larga experiência nacional e internacional. Extremamente perigoso, com qualidade na equipe e comissão técnica. Está aberto e é tentar fazer um grande jogo”, planeja.

Experiência x empolgação

 

De um lado a empolgação natural de um estreante em Superliga, o Concilig. Do outro, a experiência de um tricampeão, o Rio de Janeiro. Para Bernardinho, a equação para se sobressair no duelo Concilig x Rio de Janeiro é ter uma mescla dos melhores pontos das duas condições. “Independentemente da experiência que você tenha, o nível de vontade e entusiasmo tem que ser o mesmo. O ideal é que um time tenha um histórico de campeão, mas um espírito de aspirante. Estas jogadoras que já ganharam alguns títulos têm que jogar esta liga com o mesmo espírito de quem nunca jogou, de quem está começando agora e construindo uma nova história. Esta chama nunca pode apagar, do entusiasmo, da paixão, esta coisa do aspirar algo”, conclui.

 

Reencontro

Hoje adversários em quadra, os técnicos Chico dos Santos e Bernardinho têm uma história em comum no voleibol, sendo companheiros por 13 anos em comissões técnicas de seleções brasileiras masculinas e femininas, parceria repleta de títulos. O reflexo é a grande amizade que permanece e o respeito e admiração mútuos. Chico lembra com carinho a grande passagem como assistente técnico de Bernardinho. “Cada um pegou as coisas boas do outro. Foram 13 anos e você aprende, foi um privilégio trabalhar com ele. Estive com os maiores jogadores do mundo. De 2000 até 2006, a gente ganhou todos os campeonatos que existem. Foi uma lição para mim”, declara o treinador. 

Bernardinho demonstrou satisfação pelo reencontro e elogiou o amigo. “Primeiro, existe o respeito pelo profissional, pela pessoa humana. Nós convivemos muitos anos e tivemos muitos êxitos em seleção, tanto no masculino quanto no feminino”, recorda. “O mais importante é o conteúdo que ele tem, a exigência de trabalho. O voleibol brasileiro deve muito a ele pela contribuição que trouxe para as seleções. É um cara estudioso, dedicado, que tem uma paixão enorme pelo voleibol”, destaca.

Santos trabalhou ininterruptamente com Bernardinho de 1998 a 2006 na seleção brasileira, sendo de 1998 a 2000 no feminino e o restante com o time masculino. Depois saiu para outros projetos e retornou em 2009, permanecendo até 2012. 

O reencontro de hoje não será o primeiro entre os técnicos como rivais. Santos tem uma história curiosa. “Inclusive fomos expulsos de um jogo, eu e ele. Ele era técnico do Rexona e eu técnico do Minas Tênis Clube. Os dois têm a pilha, querem ganhar, aconteceu um problema e acabaram expulsando a gente”, diverte-se.

Ingressos

Os ingressos para a partida entre Concilig Vôlei Bauru x Rio de Janeiro estão à venda online pelo site www.voleibauru.eusoutorcedor.com.br e na Concilig (Avenida Getúlio Vargas, 3-03), hoje, das 8h às 18h. Há também a opção de poderem ser adquiridos nas bilheterias do Ginásio Panela de Pressão, das 9h até o início da partida. Também continua válida a promoção em que todos pagam meia-entrada: R$ 30,00 para cadeiras e R$ 15,00 para arquibancadas.