09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A Batra em defesa de uma classe massacrada


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Surpreendente, magnífico, irrefutável e realista e que qualifico como um manifesto a matéria publicada pela Batra (Bauru Transparente), na edição JC do último domingo, propondo um alento à massacrada classe dos professores municipais, presente em projeto de emenda à Lei Orgânica do Município, encaminhado ao prefeito e à Câmara Municipal. Em síntese, se aprovado, amarrando o vencimento inicial do professor municipal que atualmente é de R$ 1.600,00 à remuneração dos vereadores. Muito difícil, mas não impossível. Muito embora eu não seja aposentado pelo município, mas pelo Estado no cargo de supervisor de ensino, também faço parte, assim como milhares de professores, principalmente inativos, dessa mesma classe massacrada que caracteriza literalmente o professor do ensino fundamental e médio deste país, sem exceções. Se, para o professor da ativa, tanto municipal como estadual, apesar de algumas vantagens auferidas ao longo da carreira ganha mal, imagine-se o aposentado que está “massacrado e meio”. O que se recebe é aviltante, inacreditável!

Quase sempre, se comparado, o ganho anual de um professor corresponde ou equivale a um “ganho dia” ou mesmo a 1 hora de um ícone político ou social. Especificamente em meu caso, aprovado em dois concursos públicos de provas e títulos, meus proventos não chegam a meia dúzia. E, fato que também me sensibilizou muito, foi o da Batra, essa instituição ou ONG apolítica, que tem por finalidade a fiscalização, conferir a destinação e lisura do emprego ou aplicação do dinheiro público, abordando essa situação do professor municipal de Bauru que traduz a situação do professor brasileiro. Essa situação que se arrasta desde o início da colonização deste país e que demorará ainda muitas décadas para sua valorização. Pois tais reivindicações e esclarecimentos, geralmente são apresentados pelos prejudicados e entidades de classes, como Apeoesp, Udemo CPP e outras congêneres. Esta “amarração” ou ponto referencial proposto pela Batra constitui fato inédito em nosso país que poderia ser adotado por todos os demais municípios e pelos estados. Que tal se os vencimentos dos professores estaduais tivessem como referência o fixo dos deputados, senadores, governadores? Sonho ou utopia? Sei lá! A única coisa que sei é que o professor no Brasil é um profissional sem nenhuma consideração. 

Às vezes chego até a pensar que ele é considerado inconveniente, só atrapalha os governos. E de que sem ele seria bem melhor! Milhões de cumprimentos à publicação corajosa da Batra.

Joaquim Eliseo Mendes