O acidente ambiental que destruiu o município mineiro e matou o Rio Doce, há quase duas semanas, deixou marcas que vão durar ao menos um século para serem esquecidas e dissipadas. A cidade, que no século 17 era uma das maiores produtoras de ouro para a coroa Portuguesa, hoje está imersa na lama.
Enquanto filósofos facebookianos decidem por qual tragédia as pessoas deveriam se preocupar mais, se é a de Mariana ou a de Paris, o lamaçal avançou pelo Estado de Minas, cortou o Espírito Santo e segue rumo ao litoral capixaba até invadir o oceano.
Outro ponto importante são as rachaduras em uma nova barragem de Mariana. Se a fissura realmente romper a estrutura, a catástrofe será ainda maior. As proporções serão devastadoras e poderão levar casas e pessoas como se fossem folhas em uma enxurrada. Mas a principal urgência, hoje, para os moradores de Mariana e Governador Valadares (MG), é o item mais básico para a sobrevivência humana: a água. Tanto para as pessoas quanto para os animais sobreviventes. Estima-se que entre 200 e 300 mil moradores daquelas localidades estejam sem abastecimento.
O bauruense é um povo acolhedor e solidário. O que deve-se fazer, neste momento, tanto o cidadão comum quanto ONGs e iniciativas privadas é aproveitar a chegada do espírito natalino e, com isso, todos se unirem em uma rede do bem. Vamos arrecadar água. Seja ela em copinhos, garrafas ou galões. Os mineiros pedem socorro.
O autor é jornalista no JCNET e aluno de pós-graduação na Unesp Bauru