Uma mulher de 26 anos alega ter sido sequestrada, roubada e estuprada por dois homens, que a abordaram em São Paulo e a abandonaram em Bauru, na madrugada de ontem. O caso será investigado por uma unidade da Polícia Civil da Capital, local onde teria se iniciado o crime, mais especificamente em um terminal de ônibus localizado no bairro da Penha. Conforme BO, a mulher caminhava pela local, na tarde de anteontem, quando foi surpreendida por um desconhecido.
O homem teria encostado nas costas dela uma arma “tipo pistola na cor preta” e ordenado que ela entrasse em um Celta preto estacionado na via pública e se sentasse no banco traseiro, onde o bandido também se acomodou, ao lado dela. Outro rapaz, de acordo com o BO, estava ao volante.
O primeiro, que a abordou na rua, teria roubado a bolsa da vítima com documentos, joias, telefone celular, óculos de sol e R$ 60,00. A dupla também teria percorrido algumas agências bancárias para realizar saques com o cartão bancário da mulher, porém, não havia saldo volumoso na conta.
Este teria sido o motivo, ainda segundo o BO, para que o homem que estava ao lado no banco traseiro obrigasse a vítima a manter relações sexuais com ele, enquanto o outro acusado dirigia o automóvel. Durante o percurso, os dois teriam trocado de lugar para que o rapaz ao volante também pudesse violentá-la.
Após ter sido estuprada, conforme conta a mulher, ela teria sido abandonada na região central de Bauru, onde caminhou até o cruzamento da avenida Rodrigues Alves com a rua Azarias Leite. No local, a vítima pediu ajuda de pedestres, que acionaram a PM.
Ela alegou ser casada, mas, após saber do caso por telefone, o marido teria se negado a vir buscá-la em Bauru. O motivo, entretanto, não foi detalhado pela polícia.
Trêmula
Após tomar conhecimento dos fatos, o delegado plantonista na CPJ Frederico José Simão registrou o caso como estupro, roubo, sequestro e cárcere privado. Em seguida, encaminhou a mulher para a Maternidade Santa Isabel, onde ela foi submetida a exame de corpo de delito.
Por volta das 8h30, a vítima retornou ao Plantão Policial e chegou em uma viatura da Polícia Civil, que a buscou na unidade hospitalar. Com o crachá da maternidade, a mulher desceu do carro ainda trêmula e com o olhar bastante assustado. Ela não quis gravar entrevista. Disse apenas que não queria se lembrar de nada do dia anterior. “Foi a pior noite da minha vida. Quero esquecer”.
Trajando moletom e uma calça jeans, a mulher entrou em uma sala para conversar com a titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Bianchini. “Ela contou a mesma versão do BO. Encaminharemos o caso para a Polícia Civil, em São Paulo”, disse.
O exame realizado na maternidade deve ficar pronto em 15 dias e encaminhado para a investigação na Capital. O JC apurou que o resultado preliminar não teria indicado vestígios de violência sexual na mulher.
Retorno a São Paulo
Após prestar depoimento na CPJ, a mulher foi encaminhada à Casa Abrigo e ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher (programas mantidos pela prefeitura), onde, neste último, passou por avaliação psicológica.
“Como o desejo dela era retornar a São Paulo, garantimos os custos com o transporte. Hoje (ontem) mesmo ela já viaja”, pontuou a titular da Secretaria do Bem Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo.