10 de julho de 2026
Geral

Alunos ocupam primeira escola estadual na cidade

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Cerca de 150 alunos ocuparam o prédio da Escola Estadual Stela Machado, em Bauru, ontem de manhã, para protestar contra a reorganização do ensino que será implantada pela Secretaria da Educação do Estado em 2016. Ações semelhantes vêm sendo realizadas em várias cidades paulistas (leia mais na página 17). Com uso de corrente e cadeado, os estudantes trancaram o portão e só permitiam a entrada de quem compartilhasse da reivindicação. 

Em apoio ao movimento, pais e professores também protestaram do lado de fora da unidade educacional, que fica na quadra 15 da rua Wenceslau Braz, na Vila Pacífico. Os estudantes usaram faixas e cartazes para mostrar que são contrários à retirada do ensino fundamental na escola, que, hoje, atende, além do ensino médio, alunos do 6.º ao 9.º ano.

João Rosan
Manifestação: com faixas e cartazes, alunos protestaram contra o cancelamento do ensino fundamental na unidade escolar

Com a mudança, aproximadamente 700 alunos serão transferidos para a Escola Estadual Luiz Castanho de Almeida. “Esse ato é em solidariedade a outras escolas, que vão acabar ficando superlotadas e apresentar queda na qualidade de ensino”, avalia a estudante do 1.º ano do ensino médio, Giovana Moreira Sanches, 16 anos. 

“Ninguém quer mudar de escola. Se quisesse, pediríamos transferência”, acrescenta Giovana, frisando que os alunos só deixariam a unidade após posicionamento do Estado. Dirigente regional de ensino de Bauru, Gina Sanchez diz ter estranhado a ocupação, pois não havia recebido nenhum argumento de alunos e professores do Stela Machado (leia mais abaixo).

Sem aula

 

Em razão do protesto, alunos dos três períodos (manhã, tarde e noite) ficaram sem aula nesta terça. Até as 20h de ontem, o grupo de aproximadamente 150 alunos permanecia acampado, com a promessa de passar a noite dentro da unidade.

A informação é de que aproximadamente 30 pais e professores montariam barracas para pernoitar do lado de fora da escola. “As aulas serão repostas como foram na greve e em outras ocasiões. Não é o momento de pensar nisso. Estamos aqui, hoje, por melhorias. Esse é o foco”, pontua a aluna Giovana.

Ao longo do dia, estudantes receberam água e alimento doados por pais e docentes. “Estamos preparados para dormir no pátio da escola, se necessário. Trouxemos cobertas e travesseiros”, relata a aluna. Para preencher o tempo na unidade de ensino, os alunos promoveriam debates e atividades recreativas.  À noite, uma reunião com os pais foi realizada no ginásio de esportes.

Barraca 

 

Em frente à escola, os professores instalaram uma barraca que simbolizava um ponto de plantão para suporte aos alunos, conforme destaca o professor de filosofia Tiago Pereira. Ele era um dos 25 docentes do Stela Machado que permaneciam do lado de fora do prédio, ontem de manhã, em apoio ao manifesto. 

“O primeiro fator é a questão de identidade e cultura escolar que se constrói ao longo de uma história. A escola será desmontada nesse sentido. O segundo aspecto é que os 700 alunos transferidos de maneira compulsória vão gerar superlotação. Aqui (no Stela), estudantes serão forçados a irem para o período noturno por causa da demanda”, observa. 

Pressão? 

 

Pai de um aluno do Stela Machado, Ailton Pereira Aguiar disse que havia uma informação de que a Diretoria Regional de Ensino de Bauru estaria pressionando funcionários da escola que possuem filhos no manifesto a retirá-los do prédio. Caso isso não ocorresse, esses servidores sofreriam consequências como o rebaixamento ou perda do cargo. “Eu estudei até o terceiro colegial nessa escola e meu filho estuda no Stela também. É uma vergonha se a Diretoria de Ensino estiver, de fato, ameaçando os funcionários em razão da manifestação, que é um direito dos alunos”, critica. 

Dirigente regional de ensino de Bauru, Gina Sanchez negou qualquer tipo de pressão contra os funcionários. “Isso não é verdade. Não há, por parte da Diretoria de Ensino ou da direção da Escola Stela Machado, qualquer contato com funcionário em relação a isso. Não existe represália, como nunca houve. Com certeza, não é verdade”, alega.

 

SURPRESA

 Para a dirigente regional de ensino, Gina Sanchez, a ocupação dos alunos na escola Stela Machado foi uma surpresa. “Em nenhum momento, tivemos a vinda de uma comissão ou representantes de alunos do Stela Machado à diretoria. Não recebi argumento contrário da reorganização”, disse, acrescentando que estaria aberta ao diálogo. 

Segundo Gina, o dia “E”, realizado no último sábado para tirar dúvidas sobre a reestruturação, ocorreu de forma tranquila em todo a região, inclusive na Stela Machado. Ela garante que a escola continuará atendendo nos três períodos. “Precisávamos saber qual reivindicação especificamente para o Stela Machado. Se for um movimento maior em relação à reorganização, contrário à política pública, torna-se uma ação que cabe a outros setores, como o sindicato da categoria”, observa. 

“Não vamos utilizar nenhum mecanismo que venha a ferir o direito dos alunos à manifestação. A nossa preocupação é com a segurança deles na escola sem a presença de adultos e, principalmente, com as aulas perdidas, que serão repostas aos sábados. Porém, o ano já está terminando e pode ser que seja preciso estender a reposição para janeiro de 2016”, observa a dirigente Gina Sanchez.