| Quioshi Goto |
| Desde na última terça-feira (17), mais de 100 alunos da Escola Estadual Stela Machado mantêm o local trancado |
Desde a última terça-feira (17), cerca de 140 alunos da Escola Estadual Stela Machado ocupam a sede da instituição, localizada na Vila Pacífico, em Bauru. Eles têm recebido mantimentos e produtos de limpeza da comunidade e afirmam que não há previsão para deixar o local. Já a Secretaria da Educação do Estado pretende ingressar com um pedido de reintegração de posse.
Segundo a dirigente da Diretoria Regional de Ensino (DRE), Gina Sanchez, a Secretaria da Educação do Estado está encaminhando pedidos de reintegração de todas as escolas ocupadas em São Paulo, inclusive, a Stela Machado. “São prédios públicos que abrigam documentos funcionais da vida de professores e alunos”, justifica.
Além disso, a dirigente alega que o órgão tentou, em vão, entrar em contato com eles na terça (18), quando a unidade foi ocupada. “A diretora da escola esteve por lá, pediu para entrar e conversar. Nós queríamos agendar um horário para conversar com o representante dos estudantes, mas eles não abriram o portão”, afirma.
Mesmo assim, Gina garante que tentará estabelecer contato com os alunos hoje. “Quero ver quais os pontos que eles estão discordando em relação à escola, especificamente, se é o ensino noturno ou o número de alunos por sala. Estou e sempre estive aberta ao diálogo”, frisa.
Preocupada com a segurança dos adolescentes, Gina pediu para que o Conselho Tutelar passasse por lá, mas ninguém deixou entrar. Quanto à reposição das aulas, ela ocorrerá a partir de 18 de dezembro, quando terminará o ano letivo. “Hoje (quarta-18), houve uma publicação que determina que não fechemos o ano letivo sem a reposição desses dias perdidos”, justifica.
Apoio
De acordo com o estudante da 2.ª série do ensino médio Guilherme Redressa de Carvalho, 17 anos, os ocupantes distribuíram colchões nas salas de aula para passar a noite. Quanto às refeições, tem gente ajudando com dinheiro ou mantimentos. “Nós lutamos contra a reestruturação do governo estadual e reivindicamos ter uma voz mais ativa junto às decisões”, comenta.
Com o uso de corrente e cadeado, os estudantes trancaram o portão da escola e só permitiam a entrada de quem compartilhasse da reivindicação. “Fazemos reuniões e saraus. Para o final de semana, estamos programando oficinas, apresentações musicais e a projeção de um filme”, revela. Ao contrário do que alega a DRE, ele afirma que não houve qualquer tentativa de negociação por parte do Estado.
Nessa quarta-feira (18) à tarde, havia cinco estudantes do 3.º ano de psicologia da Unesp de Bauru em frente à Stela Machado. Entre eles, Bartira Ramos, 24 anos, conta que os alunos do curso decidiram arrecadar dinheiro junto aos demais universitários para comprar produtos de limpeza, mantimentos e itens de higiene pessoal.
Os universitários confeccionaram cartazes e estão revezando a presença em frente à escola. “Os alunos do ensino médio não estão sozinhos. O futuro deles é na universidade e a situação dela está tão ruim quanto das escolas públicas. É uma luta conjunta pela educação e nós estamos aprendendo com eles”, defende Bruna Passarelli, 21 anos.
Protesto
Conforme o JC noticiou, em apoio ao movimento, pais e professores também protestaram, mas do lado de fora do Stela Machado. Os estudantes usaram faixas e cartazes para mostrar que são contrários à retirada do ensino fundamental da escola, que atende, atualmente, cerca de 700 alunos do 6.º ao 9.º ano, além do ensino médio. Essa é a primeira escola estadual a ser ocupada em Bauru.