Sempre que nos relacionamos com alguém no trabalho, temos uma escolha a fazer: reivindicamos o máximo pelo que oferecemos ou contribuímos com o máximo sem nos preocuparmos com a retribuição. Segundo Adam Grant, professor da Wharton School, autor do livro “Give and Take” (que pode ser visto em seu site http://www.giveandtake.com), poucos se situam nestes extremos. Em seu livro, cita o comportamento das pessoas no trabalho em relação a suas preferências por reciprocidade. São três: os tomadores (takers), os doadores (givers) e os compensadores (matchers).
Os tomadores têm uma característica inconfundível: gostam mais de receber do que de dar. Fazem a reciprocidade pender para o seu lado, colocando os interesses próprios à frente das necessidades alheias. São sempre solícitos com seus superiores, bajuladores e impostores convincentes. Os doadores são uma espécie relativamente rara. Fazem a reciprocidade pender na direção dos outros, preferindo dar mais do que recebem. Enquanto os tomadores tendem a ser mais voltados para si mesmos, avaliando o que podem receber, os doadores são mais voltados para os outros, dedicando mais atenção ao que podem oferecer.
Os compensadores se empenham em preservar o equilíbrio entre dar e receber. O compensador acredita no “isso por aquilo”, no “toma lá dá cá” e seus relacionamentos são regidos pela troca de favores. Em seu trabalho o autor cita que, no mundo da Engenharia, os menos bem-sucedidos foram os que deram mais do que receberam. Portanto, se é maior a probabilidade dos doadores se situarem na base da escala de sucesso, quem tenderá a alcançar o topo: os tomadores ou os compensadores?
Nenhum dos dois. Ao analisar os dados, o autor descobriu que os melhores profissionais são os doadores – de novo! E esse padrão é generalizado. Em diferentes ocupações, os doadores dominam a base e o topo da escala de sucesso. E é fácil entender a razão. Quando os tomadores vencem, em geral alguém perde como contraponto, enquanto que, quando os doadores vencem, as pessoas torcem por eles e os apoiam em vez de sabotá-los. Neste caso o sucesso se espalha e gera um efeito cascata. É mais fácil vencer quando todos querem que você vença. Quem não faz inimigos chega ao topo com mais facilidade.
Esse padrão de comportamento encontramos na Cabala. Ela nos ensina que só conseguimos encontrar o sucesso, saúde e felicidade quando compartilhamos, só que, infelizmente, o desejo de receber somente para si é como uma droga altamente viciadora. Ficamos apegados à passageira euforia que ela proporciona.
Segundo a Cabala, há quatro graus em nosso desejo de receber. Quem recebe pelo simples fato de receber traz consigo o estado mais denso da realidade; o desejo de receber se traduz em puro egoísmo. Nesse estado, o homem está centrado em si mesmo, sem dar a menor importância às consequências de seus atos.
Quem dá para receber algo em troca, tem uma condição superior a anterior, pois, apesar de haver interesse, o homem começa a expandir sua realidade, pois começa a pensar e ter consciência de seu semelhante. Quem dá e sente satisfação pelo fato do outro receber é incalculavelmente superior ao anterior, já que quem alcança esse nível de altruísmo em seus atos, consegue vencer o seu egoísmo e expandir sua realidade a todos os aspectos da vida.
No estágio de receber para dar, o homem concretiza o objetivo da Criação, o objetivo da vida. Transformar o egoísmo em altruísmo é conhecer a verdadeira sabedoria e nos faz sócios ativos do programa da Criação.
Em vez de almejar o sucesso primeiro para doar depois, saiba que doar primeiro é um caminho promissor e seguro para alcançar o sucesso depois e de forma mais digna e ética. Mas, infelizmente nossa sociedade prioriza os direitos e não os deveres e o medo de sermos explorados pelos tomadores é tão generalizado que nos induz a esperar o pior dos outros. Assim, para não parecermos tolos, normalmente relutamos em ouvir nossos instintos mais nobres.
O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru