11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Adeus (?), Paris....

João Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Também conheço bem Paris, como conheço Chicago e São Paulo. E o que estas cidades, apesar de se situarem em regiões distintas, têm em comum? Todas elas possuem os dois lados: os dos ricos e os dos pobres. Em Paris, se discute se a cidade seria melhor sem os imigrantes, grande parte muçulmanos. Em Chicago, o “problema” são os latinos: porto-riquenhos e mexicanos em sua maioria. Em São Paulo, os nordestinos (que nem são tão imigrantes assim), todos responsáveis pela manutenção destas cidades. Cidadãos que encontraram nelas uma oportunidade de fazer a vida, vislumbrados pela riqueza destes lugares e com o sonho de um dia também “chegarem lá”.

Não devemos esquecer que no mundo todo a população considerada “rica” não passa de 2%. Portanto, “chegar lá” é um sonho um tanto distante para a grande maioria, seja no Ocidente ou no Oriente. Os atentados em Paris nada têm a ver com a luta de classes, nem tampouco com religião. Tem, sim, tudo a ver com a intolerância de um grupo radical que vive para combater a cultura ocidental através do terrorismo, das decapitações, da destruição através de seus “mártires-bombas” e da disseminação do ódio e do medo. Estes radicais acreditam que se morrerem em combate serão recebidos por Alá com honras e quanto maior o números de mortos que fizerem, maior será a honra.  Não aceitam o Cristianismo, como também não respeitam a religião muçulmana, apesar de se auto intitularem muçulmanos. Matam por um fundamentalismo besta e motivo torpe.

Compram as suas armas no mercado negro, provenientes das indústrias norte-americanas e russas (para isso, a cultura ocidental serve) e estão dispostos a atacar qualquer país que se oponha aos seus idealismos. A preferência por Paris não foi pela opressão dos franceses aos imigrantes muçulmanos, foi apenas porque o país satirizou o profeta Maomé em algumas charges e por ter enviado soldados para combater o ISIS em território sírio e belga.

Ao ler a coluna do professor de história Carlos D’Incao (JC da última sexta-feira), não pude deixar de sentir certa preocupação com o seu ponto de vista ao escrever “... que belo e conveniente presente de Natal receberam o pequenino François Hollande e todo o Imperialismo europeu e norte-americano!...”, como se houvesse algum motivo justo ou nobre que justificasse os atentados. 

Independente de serem faces da mesma moeda, imperialismo e extremismo islâmico, nada justifica tamanha atrocidade e covardia a cidadãos desprotegidos e inocentes. Fosse assim, estaríamos dando motivos para os porto-riquenhos, mexicanos e nordestinos agirem de forma semelhante em Chicago e em São Paulo, pregando o extermínio de todos que se opusessem a eles, como se fossem estes os verdadeiros culpados por seus sonhos fracassados.

Se a França deixou de ter a sua bandeira como símbolo da igualdade, liberdade e fraternidade, o que diremos do verde das matas (devastadas), do amarelo ouro (saqueado), do azul anil (poluído), do branco pacificador (tomado pela bandidagem) e do emblema “Ordem e Progresso“ da nossa bandeira? Com que moral e propriedade podemos julgar a casa do vizinho, ainda mais neste momento de dor? Sejamos mais tolerantes uns com os outros sem tentar justificar o injustificável.

(Apenas gostaria de saber se a opinião do professor foi isolada ou se está sendo compartilhada durante as aulas com os alunos do Instituto D’Incao)