| Fotos: Malavolta Jr. |
| Eduardo Carbone escolheu a Nações Unidas: “Só pensava em como ir ser incrível morar em frente ao cartão-postal de Bauru” |
A ideia de morar em frente ao mais famoso cartão-postal de Bauru fez o jornalista e escritor Eduardo Carbone, de 35 anos, trocar um apartamento perto da Nações Unidas por uma casa na quadra 23 da avenida.
“Eu só pensava em como ir ser incrível morar bem em frente ao Vitória Régia, mesmo imaginando os problemas que teria no futuro”, relembra, embora ainda se surpreenda com alguns “perrengues”.
Desde 2010, ele convive, na maior parte do tempo numa boa, com os eventos no parque, o corre-corre do trânsito, o pessoal que estaciona no recuo para comer e ouvir música, as embalagens e os restos de alimentos no chão, a movimentação do colégio de um lado, a animação do buffet infantil do outro, a enchente que transforma a avenida num rio...
Aguaceira
Como a casa de Eduardo fica na marginal da Nações, em um nível mais elevado, a água não chega na sua porta, mas impede o principal acesso.
“Se estou em casa, não saio; se estou fora, tenho que esperar a chuva diminuir bastante para voltar”.
O que mais preocupa é a erosão que se forma no barranco entre sua residência e o “rio”. “A prefeitura vem e coloca terra, mas só dura até a próxima chuva forte. Parece que inundar a Nações é tão corriqueiro que as autoridades lavaram as mãos”, reclama.
Vista privilegiada
Logo que coloca os pés na calçada, Eduardo se depara com o Vitória Régia. “A casa não tem quintal, mas nem faz falta, porque caminho muito pelo parque e adoro ler um livro embaixo de alguma árvore”.
Para ele, nada estraga esse clima, mesmo quando há crianças brincando, cachorros correndo e pessoas fazendo piquenique ou outras atividades. “Parece que estão todos na mesma vibração”.
Ponto de encontro
Não adianta: a Nações Unidas é uma avenida por onde muitas pessoas precisam, e mais, gostam de passar, de frequentar...
“Com o barulho já me acostumei, afinal, ele já existia, eu que vim para cá! O que me incomoda é a falta de educação de quem para no recuo e põe som alto de madrugada. Tem que ter bom senso e limite”, defende, garantindo que nunca pensou em sair do seu ponto estratégico por conta disso, muito menos devido à “vizinhança”.
“Marco com os amigos nos barzinhos e lanchonetes aqui perto e vou a pé! Também é fácil para quem me visita achar onde moro, pegar um ônibus... Daqui é tudo prático!”.
Dia de festa
E quando tem show? “Se eu não gosto do estilo da música fecho a casa; se gosto, até vou, mas geralmente fico ouvindo daqui mesmo!”.
Preocupado com os estragos da casa no “fim de festa”, este ano Eduardo ficou de olho.
“Para minha surpresa, o pessoal sobe no telhado para pegar as pipas que custam ‘cincão’! E não é criança, não. É tudo marmanjo que fica ‘sambando’ lá em cima... É um risco para eles mesmos”.
O resultado foi várias telhas quebradas, goteiras enormes e gasto para consertar.
No próximo ano, o acesso ao telhado será dificultado, para o bem de todos.
O jeito é superar os desafios com criatividade. “Pedi ao Pandart para grafitar meu muro. Gosto de arte urbana e os pichadores respeitam o grafite”.