Pra definir o tempo, fisicamente, existem meras construções teóricas, necessidades taxonômicas que a humanidade desenvolve desde sempre. Certa vez gravei um exemplo de tempo. “O tempo nada mais é que o espaço medido entre uma folha que cai de seu galho, até o chão”. Velocidade, o espaço dividido pelo tempo, o sistema sexagesimal, o tempo. Tempo. Esse conceito ideológico nosso, como tantos outros, o principal motivo de tantas desculpas infundadas, condicionante para o também movimento atual, o de rebanho.
Isso, algum dia, foi escolha de alguém. O que não compreendo é o porquê da mesma, da seleção de uma elite esnobe que pensa, pensar. Para a história, 80 anos é pouca coisa. Pra nossa, foi uma pouca coisa devastadora. Como determinar aonde começou o descaso pelo brilho singular de uma estrela ou uma obra realista do século XIX. E nas ideias, outras ainda mais absurdas, a de que somos todos donos de nosso tempo, planos e nós mesmos. Em quase uma pós-religiosidade o humor em detrimento do que é de fato Sagrado.
A adoção de critérios sem fundamento como verdadeiros, pela afirmação da falta, daquilo que criamos, o tempo. Onde predomina a falta da busca, e do interesse pelo conhecimento do correto. Esvaziamento do significante dos nossos símbolos mais primordiais. E pra quê? Pensar que o tempo que é criado, cria vazio, e os mesmo, frustrações, que dificilmente são compreendidas, abstraídas e superadas pela grande maioria, pela massa guiada pela condução errada. Em cada barulho do ponteiro de meu relógio, me pergunto não mais o porquê, mas qual a duração, a direção e o resultado disso.