Em 1950, Hemingway escreveu a um amigo que “se você teve a felicidade de morar em Paris quando jovem, não importa onde você esteja ela estará com você, pois Paris é uma festa móvel.” Lembrei-me da frase em conversa com minha filha, que está produzindo um evento internacional em São Paulo e comentou comigo nesse final de semana que os franceses cancelaram a presença. Daí a chegar ao túnel do tempo foi um pulo. Vivi em Paris por um semestre, quando completei minhas atividades programadas na Faculté René Descartes/Sorbonne.
O Quartier Latin vivia em ebulição cultural. Senti na pele esse clima que se respira na Cidade Luz e carrego Paris no coração. A cidade é cultura, é diversão, é sensibilidade, é democracia, é o luxo da alta costura em oposição à simplicidade aparente dos parisienses. Um café tomado na mesa de calçada de um bistrô é uma festa. Ler jornal em banco de qualquer praça da cidade é uma festa. Hemingway estava certo! Paris é uma festa de luz e cor. Liberdade, igualdade, fraternidade são azuis, enquanto o racismo, o ódio ao modo de vida ocidental, a falta de cultura, de democracia, de liberdade, de igualdade, de fraternidade do EI é vermelha, daí eles terem como objetivo tingir o ocidente com o sangue de inocentes.
A posição de Paris vem se consolidando desde o século X tornando-se um dos primeiros focos europeus de ensino e arte. Hoje, ela é a mais importante cidade do mundo ocidental em termos culturais com seus 110 museus e 55 bibliotecas, sem contar galerias de arte e livrarias. São milhões de livros e quadros! Uma cultura que os próprios árabes durante 700 anos ajudaram a construir quando permaneceram na península ibérica e, através deles, a cultura grega voltou a reinar no ocidente estimulando a Renascença... Hoje, esse antigo povo tem dentro de si fanáticos com uma doença dormente em suas entranhas, um rancor que não se dissolve: o ódio, um verme invisível consumindo seus corações. Bobagem perguntar o motivo. Por que seres humanos – mortos/vivos – destroem seres humanos inocentes? Acredito, como Caetano Veloso, que “alguma coisa está fora da ordem/ fora da ordem mundial.”
A autora é doutora em Estética e História da Arte