| João Rosan |
| Reunião aberta realizada pela Unesp apresentou relatório da Comissão de Averiguação Preliminar |
Terminou com um pedido de desculpas público ao professor Juarez Xavier e a toda comunidade negra uma reunião aberta feita pela Unesp de Bauru, nessa terça-feira (24), para apresentação do relatório com os resultados da apuração interna sobre as pichações racistas encontradas no banheiro no câmpus, em 24 de julho deste ano.
Montada pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), a Comissão de Averiguação Preliminar, presidida pela docente Maria Cristina Gobbi, investigou o ato e realizou oitivas de ao menos 15 pessoas. A sindicância interna, no entanto, terminou sem a identificação dos autores.
O processo foi arquivado, mas o assunto continuará vivo por muito, segundo promessa feita pela diretoria da Faac, que se comprometeu a levar a questão adiante para iniciar uma ação em “cadeia” para que nenhuma unidade mais tolere a discriminação, seja ela racial, de gênero ou qualquer natureza.
Após o caso de Bauru, alunos de várias unidades da Unesp em cidades como Assis, Ourinhos e São José do Rio Preto já teriam registrado boletins de ocorrência sobre crimes de racismo, conforme Juarez. O fato também fez com que a Unesp decidisse participar da Década do Afrodescente, movimento proclamado pela ONU, que busca promover ações de respeito e proteção até o ano de 2024.
‘Vitória’
Os resultados apontados no relatório de 18 páginas feito pela Comissão de Averiguação Preliminar, nos últimos meses, apesar de inconclusivos sobre a autoria, foram encarados por Xavier como uma grande vitória. “Nunca se discutiu, nessa dimensão, a questão do preconceito racial dentro da Unesp. É um problema que aflige a universidade há muito tempo”, avalia Xavier, que atua como professor do Departamento de Jornalismo. “A universidade não pode ser um espaço permissivo para crimes. Não foi o Juarez que foi ofendido, foi o Estado Democrático de Direito”.
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"Nunca se discutiu, nessa dimensão, a questão do preconceito racial dentro da Unesp”
Juarez Xavier
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“Unesp cheia de macacos fedidos”, “Negras fedem” e “Juarez Macaco” foram as inscrições encontradas em dois banheiros do campus de Bauru. Maria Cristina Gobbi também destaca o fato de as apurações terem conseguido unir professores, alunos, coletivos da universidade e departamento jurídico. “Elencamos ações neste relatório que serão realizadas pela universidade em cada espaço do câmpus para acabar com essas situações”, detalha.
Entre os apontamentos feitos, está a criação de uma ouvidoria específica da Unesp para assuntos relacionados à discriminação, divulgação do Código de Ética da Unesp e do Estatuto da Igualdade Racial e demais tratados que contemplem direitos humanos, mais apoio e visibilidade aos órgãos que tratam dessa questão dentro da universidade e ampliação de campanhas que envolvam direitos humanos e questões raciais, além de uma série de indicações a cada faculdade específica.
O documento será enviado à Polícia Civil, que investiga o caso, à uma comissão que trata de assuntos raciais na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e ao Ministério Público. A ideia é divulgar o trabalho feito e de provocar possíveis recomendações desses órgãos à Unesp.