09 de julho de 2026
Geral

Proposta prevê cancela na Nações e outros locais

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Montagem feita pelo JC mostra como ficaria a cancela na Nações, próximo a ponto de inundação

A Secretaria Municipal de Obras irá apresentar, em reunião marcada para esta quinta-feira (26) com o prefeito Rodrigo Agostinho, a proposta de instalar cancelas em pontos críticos de alagamentos durante temporais em Bauru. O esboço do projeto já está pronto, mas poderá ser aperfeiçoado com ideias que eventualmente surjam durante o encontro. Além da pasta, participam da reunião representantes de órgãos de resposta em dias de chuva forte, como as secretarias de Meio Ambiente, Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e Defesa Civil.

Procurado pela reportagem, o secretário municipal de Obras Sidnei Rodrigues antecipou alguns detalhes da iniciativa, que deverá ser implantada, inicialmente, por meio de um projeto-piloto. “Queremos testar a funcionalidade do equipamento e da interdição em si, primeiro, na avenida Nações Unidas, na altura do viaduto (da antiga Fepasa). A ideia é que ele já esteja colocado até meados de dezembro”, revela.

A instalação de cancelas – semelhantes às utilizadas em praças de pedágio - já havia sido cogitada pela administração municipal em outras ocasiões em substituição a barreiras de solo, como cones e cavaletes, que podem ser facilmente levados pela enxurrada. Mas, segundo Rodrigues, o alto custo dos dispositivos era considerado o principal impeditivo.

Para contornar este entrave, agora, a proposta é que a própria secretaria confeccione os equipamentos, com custo bem menor. “Utilizaremos mão de obra nossa e alguns materiais que já temos. Pouca coisa terá de ser comprada”, explica o titular da pasta.

A cancela, possivelmente, será construída com canos de PVC e terá base metálica fixa, com pouco mais de um metro de altura. Na baixada da avenida Nações Unidas, o plano é que sejam dispostos dois equipamentos, um na altura da rua Júlio Prestes (no sentido Teatro Municipal - Terminal Rodoviário) e outro, no sentido oposto, logo após o cruzamento com a rua Aparecida. “Como a avenida é larga, a ideia é não instalar um dispositivo único, que ficaria muito comprido. Então, em cada ponto haverá, na verdade, duas cancelas, uma com a base no canteiro central e outra saindo da calçada”, detalha.

Quioshi Goto
Gustavo Santos e Leandro Pires, da Obras, trabalham no projeto

Removível

O material feito em PVC será removível e, assim que houver alertas de tempestades, homens da secretaria sairão às ruas para instalá-lo. Durante as interdições, as equipes e agentes de trânsito da Emdurb também ajudarão a disciplinar o trânsito.

A intenção é que o fluxo de veículos que circulam no sentido Terminal Rodoviário-Teatro Municipal seja desviado em direção à rua Aparecida, seguindo até a rua Antônio Alves, para que retomem a Nações logo à frente (veja no quadro abaixo).

Para quem segue no sentido oposto, uma saída seria ingressar na rotatória que dá acesso à rua Júlio Prestes, pouco antes da área de alagamento, e acessar as ruas Araújo Leite e Inconfidência, para voltar à Nações já nas imediações do Terminal Rodoviário. Caso a área de inundação for maior do que o esperado, há, ainda, a possibilidade de instalar duas cancelas no cruzamento entre as ruas Araújo Leite e Inconfidência para impedir que os motoristas corram riscos ao retornar à avenida em trecho com acúmulo de água.

“Além das equipes, também iremos colocar placas de sinalização, com um mapa bem didático e objetivo para indicar às pessoas qual a rota alternativa que elas devem seguir. Aos poucos, as pessoas irão memorizar o caminho e saber o que elas precisam fazer naquele ponto em dias de chuva”, completa.

Soluções paliativas

A instalação de cancelas em vias como a avenida Nações Unidas é uma das estratégias que a administração municipal poderá adotar para que a cidade possa conviver, de maneira menos arriscada, com as inundações, que continuarão fazendo parte do cenário de Bauru por tempo indeterminado em dias de chuva forte. A solução definitiva para a Nações, contudo, só seria viabilizada com a construção de piscinões e com o redimensionamento da galeria existente sob a via, que canaliza o Ribeirão das Flores.

Segundo Sidnei Rodrigues, somente a instalação de necessários cinco piscinões custaria aproximadamente R$ 125 milhões, recurso do qual a prefeitura não dispõe. Por este motivo, a administração enviou projeto para captação de verbas federais, que aguarda aprovação junto ao Ministério das Cidades. Para a mesma finalidade, o município também contratou, agora, um novo projeto para as obras de drenagem da Nações Unidas.

Se der certo...

Caso o projeto-piloto da Secretaria de Obras for bem-sucedido, a ideia da pasta é instalar novas cancelas em outros pontos da cidade. Um dos que já foram analisados é a rua Benevenuto Tiritan, entre a avenida Comendador José da Silva Martha (na altura da linha férrea) e a rua Calixto Saddo Cury.

Sempre que chove forte, o local é palco de inundação porque o córrego Água da Forquilha transborda com frequência, levando perigo para motoristas e pedestres.

Outro ponto é a avenida Alfredo Maia. Para impedir os motoristas de acessarem a quadra 1, que também é ponto crítico de alagamento, uma cancela poderá ser instalada na ruas José Bastos, quase no cruzamento com a rua Bernardino de Campos.