10 de julho de 2026
Geral

Aeroporto Moussa Tobias teve simulação de queda avião

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Alex Mita
Bombeiros tentavam salvar vítimas, que gritavam por socorro
Acidente “de mentirinha’ deixaria 19 pessoas feridas e um morto

Desastre! Uma aeronave bimotor EJ/PR-SKW caiu no Aeroporto Moussa Tobias, em Bauru, nessa quarta-feira (25) à tarde, e provocou a morte de um dos dois pilotos, além de deixar outras 19 pessoas feridas. Calma! Tudo não passou de uma simulação de iniciativa do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) com o intuito de treinar os procedimentos de emergência e primeiros socorros.

Conforme informações da assessoria de imprensa do órgão, equipes da Defesa Civil de Bauru, do Samu, dos bombeiros, da área da saúde da Prefeitura de Bauru e de Arealva, das polícias Militar e Rodoviária e da comunidade aeroportuária em geral participaram desse exercício. Havia até um carro funerário no aeroporto. O treinamento simulou a queda da aeronave em uma pista de 2.100 metros de comprimento e 45 de largura.

As vítimas “de mentirinha” ficaram deitadas ao redor da aeronave. Dois caminhões dos bombeiros do aeroporto combatiam um incêndio simulado. A poucos metros de distância, os brigadistas prepararam tapumes das cores verde, amarela e vermelha para abrigar as pessoas, dependendo da gravidade dos ferimentos. Os bombeiros retiraram as vítimas aos poucos e entregavam para o Samu, que fazia os primeiros socorros.

O Simulado Completo de Acidente Aeronáutico atende regulação aeronáutica estabelecida pela Agência Nacional de Aviação (Anac) e pelo Comando da Aeronáutica. O exercício, que ocorre a cada dois anos, desde 2011, inclui a simulação de resgate, primeiros socorros e transporte a um hospital. Durante a ação, são avaliados a mobilização das equipes envolvidas nesse tipo de caso, atendimento médico e tempo levado no percurso.

Vítimas

As supostas vítimas eram, na verdade, estudantes do curso técnico em enfermagem da Etec Rodrigues de Abreu e do curso de enfermagem da Anhanguera. A aluna da Etec Maria Fernanda de Souza, 36 anos, “teve” 50% do corpo tomado por queimaduras de segundo e terceiro graus e uma boa lição prática de resgate. “Eu já estudei as formas de se socorrer uma pessoa queimada, mas agora vou ver na prática”, reitera.

Outro aluno da Etec é Henrique Reinaldo Kimura, 44 anos, que interpretou um dos dois pilotos da aeronave, mas não teve tanta sorte: era a única vítima fatal da tragédia simulada. Kimura sofreu um “empalamento”, ou seja, quando um objeto entra no corpo, e diversas queimaduras. “O treinamento é a melhor forma para colocar o que aprendemos em prática”, reforça.

Já a estudante de enfermagem da Anhanguera Adrieli Cristina Menezes, 23 anos, estava com uma fratura exposta na clavícula, uma escoriação no abdômen e a traqueia lateralizada, ou melhor, que “saiu do lugar”, como ela mesma explica. Adrieli, que já fez um curso de resgate, até narra a forma pela qual seria socorrida. “Eles terão de me imobilizar na prancha e levar para o socorro. O osso que saiu deverá ser colocado no lugar, o ferimento será limpo e, provavelmente, eles me darão pontos. Quanto à escoriação, um raio X deverá ser feito para identificar possíveis sangramentos internos após a queda. O importante é que não vou morrer”, brinca.