| João Rosan |
| Renato diz que objetivo é proteger os trabalhadores e a administração |
Após relatar à Câmara Municipal pedido de propina de R$ 10 mil em troca de concessão de área pública em Distrito Industrial para ampliar sua oficina mecânica, o empresário Norberto Pagoto está sendo interpelado judicialmente pelo secretário do Desenvolvimento Econômico, Renato Purini, para revelar o nome do servidor da pasta responsável pela cobrança.
Quando prestou depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle do Legislativo, no dia 13 de novembro, Pagoto afirmou que não conhecia o agente público nem lembrava seu nome. Além disso, demonstrou resistência ao colaborar com a apuração do caso nesse sentindo, alegando apenas que outros dois empresários teriam presenciado a solicitação do dinheiro.
Na ocasião, Norberto apontou ainda uma foto de Purini, alegando que o vereador licenciado e titular do Desenvolvimento Econômico desde fevereiro entrou na sala onde ocorreu o pedido, que teria culminado em uma briga. Ele negou, no entanto, que Renato lhe tenha cobrado propina.
Agora, após ser notificado da interpelação, o empresário terá cinco dias para se manifestar ou não. “Se ele apontar o nome, vamos apurar o caso, mas ele também terá que provar. Se não, tomaremos outras medidas”, afirma o secretário, que não descarta a possibilidade de acionar Pagoto por denunciação caluniosa.
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NÃO lembra Testemunha em apuração da Câmara Municipal alegou não se lembrar do nome do agente público
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Ao Jornal da Cidade, Purini alegou ter tomado a iniciativa na condição de responsável pelo Desenvolvimento Econômico, tendo por obrigação preservar a legalidade, a moralidade pública e a imagem dos servidores municipais.
“A intenção primeira é dar resguardo aos funcionários e à administração. Mas também queremos ajudar na apuração, tanto da Câmara Municipal quanto da Corregedoria da Prefeitura de Bauru”.
DEFESA
Nessa quarta-feira (25), Renato voltou a dizer que não há qualquer processo referente à solicitação de área pública por parte da empresa de Norberto Pagoto, que, neste ano, esteve na Prefeitura de Bauru no dia 6 de maio.
O secretário também negou que tenha presenciado alguma briga ou discussão nas dependências da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
Pagoto, vale lembrar, foi levado à Câmara Municipal pelo vereador Carlinhos do PS (PP), gravado pelo ativista Pedro Valentim tecendo comentários sobre suposto esquema de corrupção no Desenvolvimento Econômico.
Mais empresários falam à Câmara hoje
Três empresários serão ouvidos nesta quinta-feira (26) pela Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal para relatar supostas cobranças de propina de agentes públicos da Prefeitura de Bauru em troca da concessão de áreas públicas municipais. Todos procuraram o Poder Legislativo espontaneamente, após o depoimento de Norberto Pagoto.
Presidente da comissão, Roque Ferreira (PSOL) disse que os empresários prestarão esclarecimentos reservadamente pelos vereadores, condição imposta para que colaborassem com a investigação. A expectativa, no entanto, é de que o teor dos depoimentos sejam divulgados.
Inicialmente, esses empresários haviam procurado Moisés Rossi (PPS), que frisou, no entanto, que nenhum dos três esteve com Pagoto no dia em que o empresário teria sido alvo da cobrança de R$ 10 mil.
O parlamentar pontuou ainda que os parlamentares não sabem o período em que teriam ocorrido os fatos relacionados às novas denúncias.
DOCUMENTOS
A Comissão de Fiscalização também solicitou novas informações ao governo para avançar nas investigações. Os vereadores requereram, por exemplo, a relação de todos os servidores da Secretaria de Desenvolvimento Econômico que prestavam expediente no período em que Norberto Pagoto esteve no Palácio das Cerejeiras, no dia 5 de maio deste ano.