08 de julho de 2026
Geral

Cidade de Bauru deverá ter simulado de enchente

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto
Junto com outros órgãos, secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, não tira o problema da cabeça e tenta encontrar uma solução

Ver equipes e viaturas em pontos de alagamento mesmo em dias secos e ensolarados poderá se tornar uma constante para quem trafega pelas ruas que habitualmente são inundadas durante temporais em Bauru. Em reunião realizada nessa quinta-feira (26), órgãos que atuam quando há chuva forte na cidade propuseram a instituição de simulados periódicos para treinar e reduzir o tempo resposta dos profissionais que prestam este tipo de atendimento de emergência.

O encontro realizado para atualizar o plano de contingência contra enchentes, que terá sequência nesta sexta-feira (27), foi motivado pela constatação de que as ações não vinham ocorrendo de maneira rápida e integrada e que, portanto, tinham de ser aprimoradas. “Falta comunicação, desde o primeiro alerta, passando pela difusão desta informação a todos os órgãos, até a definição das atribuições de cada equipe dentro de cada um destes órgãos e onde cada uma deve agir”, pontua o diretor de trânsito e transportes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Ewerton Hunzicker.

Da reunião, participaram representantes das secretarias municipais de Obras, Meio Ambiente, Administrações Regionais e Bem-Estar Social, Departamento de Água e Esgoto (DAE), Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), além da Emdurb. A intenção, segundo Hunzicker, é que as atribuições de cada grupo sejam definidas ainda hoje.

Ele explica que, até agora, as equipes saíam às ruas para interdições e orientações de trânsito sem que pontos de ação fossem pré-determinados, o que levava, muitas vezes, ao excesso de pessoal em alguns locais e falta de cobertura em outros. “Às vezes, em um mesmo ponto, chegavam PMs, agentes de trânsito e equipes operacionais da Obras, por exemplo. E muita gente ficava ociosa. Isso não pode mais acontecer. Vamos, em um mapa, determinar onde cada um deverá estar antes mesmo de as ruas serem tomadas por alagamentos”, adianta.

Sem aviso

Por este motivo, após determinadas as tarefas e o raio de ação de cada funcionário, a proposta é realizar simulados ao longo de todo o ano, para que todos estejam preparados para desempenhar seus papéis com a maior eficiência possível. Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues acredita que a primeira simulação poderá ser posta em prática ainda neste ano. “Vamos acionar as equipes sem aviso prévio, para que a mobilização ocorra de modo bem próximo da realidade. Cada grupo terá seu coordenador e funções e locais específicos para trabalhar”, observa.

Antes, contudo, o Corpo de Bombeiros deverá oferecer um treinamento para os servidores municipais envolvidos nestas ações de emergência. O tenente Eduardo de Souza Costa explica que o curso será o mesmo que a corporação ministrou, nos últimos dois dias, aos agentes do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Emdurb (leia mais abaixo).

“O foco, principalmente, é orientar sobre o limite seguro entre o que estes profissionais podem fazer e o que é atribuição dos bombeiros em áreas de alagamento. Não queremos que ninguém corra riscos e se torne mais uma vítima”, pontua, destacando que o treinamento contará, ainda, com orientações básicas de primeiros socorros.

Quioshi Goto
Tenentes Eduardo de Souza Costa e José Sérgio de Souza articulam ações entre bombeiros e Polícia Militar

Comunicação imediata

Os órgãos que atuam no atendimento de emergência durante tempestades informaram que irão criar um grupo de trabalho no aplicativo WhatsApp, como forma de enviar, a um só tempo, informações para um grande número de pessoas. “Assim que o IPMet disparar o alerta, todos os órgãos já estarão imediatamente comunicados. Se um não vir a mensagem, um outro que trabalha junto vai ver e avisar. É uma ferramenta mais dinâmica, diferente do que as ligações telefônicas proporcionam”, pondera o diretor de trânsito e transportes da Emdurb, Ewerton Hunzicker.

Também com o objetivo de integrar a comunicação entre órgãos, o Corpo de Bombeiros e as equipes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente se comprometeram a intensificar a troca de informações para os trabalhos de rescaldo após as chuvas, com ênfase na distribuição das tarefas de retirada de árvores derrubadas pela força dos ventos. “Esta comunicação se dará por telefone entre os responsáveis por cada órgão. A ideia é que as árvores maiores e mais complexas fiquem sob responsabilidade dos bombeiros e as demais, com a Semma”, pontua o tenente Eduardo de Souza Costa.

E as cancelas?

O secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, informou que a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros consideraram segura e viável a proposta de instalar cancelas em pontos críticos de alagamentos durante temporais em Bauru. Conforme o JC noticiou nessa quinta (26), os primeiros equipamentos devem ser instalados em dezembro nos dois sentidos da avenida Nações Unidas, na altura do viaduto da antiga Fepasa.

Como a cancela será removível, o secretário estuda buscar parcerias junto a comerciantes que fiquem próximos das áreas de inundação, para que possam abrigar os dispositivos em seus estabelecimentos e, talvez, até mesmo encaixá-los na base metálica que ficará fixa no calçamento.

GOT: agentes recebem treinamento

A Emdurb concluiu, ainda nessa quinta, o treinamento dos 43 agentes do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) promovido pelo Corpo de Bombeiros para orientação sobre procedimentos que devem ser adotados durante enchentes. Os funcionários receberam informações, principalmente, quanto à importância de garantir sua segurança nas ações de interdição e orientação de trânsito, além de aprenderem técnicas de primeiros socorros.

“Eles foram orientados sobre até onde podem ir em áreas de alagamento, as situações que devem evitar e em que condições devem ajudar eventuais vítimas ou pedir auxílio ao Corpo de Bombeiros”, pontua o gerente de trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto.

Os agentes foram divididos em quatro grupos, que receberam, cada um, treinamento de três horas. As aulas contaram com conteúdo teórico e prático que, segundo o subtenente Vinícius José da Silva, serão importantes para subsidiar os servidores em situações de crise.