09 de julho de 2026
Geral

Duas Escolas de Bauru perderão R$ 745 mil em bônus

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan
Ocupada desde o dia 17, Stela Machado não receberá bônus do Saresp, assim como a Ayrton Busch

Das quatro escolas que estão ocupadas em Bauru, duas ficarão sem receber um total de ao menos R$ 745 mil de bonificação, em março de 2016, por não terem realizado a prova do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). São elas: a E.E. Stela Machado, na Vila Pacífico, e a E.E. Ayrton Busch, no Parque Jaraguá.

Uma lista das unidades em que os servidores serão prejudicados pela falta da bonificação foi divulgada pelo do Governo do Estado de São Paulo, nessa sexta-feira (27), com base em uma estimativa que considerou os valores obtidos pelas unidades com o Saresp de 2014. Na ocasião, a Ayton Busch recebeu R$ 525 mil e a Stela Machado, R$ 220 mil.

A E.E. Professor Luiz Castanho, na Vila Falcão, por sua vez, poderá receber o bônus de forma parcial, já que algumas turmas teriam passado pela avaliação normalmente, segundo aponta a Diretoria Regional de Ensino (DRE).

Ocupada na manhã da última quinta-feira (26), a E.E. Vereador Antônio Ferreira de Menezes, no Alto Alegre, conforme a DRE, teria concluído a prova normalmente e, por isso, também não entrou para a lista das unidades prejudicadas.

5º ocupação?

Na noite da última quinta (26), estudantes tentaram ocupar a E.E. Prof.ª Maria Aparecida Maschietto Okazaki, no Santa Edwirges, mas houve discordância entre os manifestantes e os alunos do noturno, que não permitiram a ocupação. 

A DRE informou ainda ter recebido ontem 12 boletins de ocorrências registrados por professores e servidores que alegam estar sendo impedidos do direito de trabalhar. Em todo o Estado, 174 escolas não fizeram ou não concluíram a prova do Saresp. Com isso, a estimativa é de que R$ 30 milhões em bônus deixem de ser pagos.

Embate

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial dos Estado de São Paulo (Apeoesp) afirma que não concorda com os critérios do sistema de bonificação proposto pelo Estado e criticou os apontamentos de corte feitos pelo governo.  “Os professores não podem ser penalizados por uma reivindicação que parte da sociedade. É um protesto de alunos e pais, os professores têm apoiado a causa”, afirma a diretora estadual da Apeoesp, Suzi Silva. “Com esse tipo de informação, o Estado coloca alunos e professores uns contra os outros, ao invés de sentar e resolver o problema, ou seja, admitir que não ouviu a sociedade e dar voz à todos para construir um projeto justo”, acrescenta.

Diretora da DRE, Gina Sanchez rebate a afirmação alegando que, das 52 escolas estaduais de Bauru, apenas duas não fizeram a prova “por culpa da estratégia adotada pelo próprio movimento, que não respeitou as datas de prova”. Segundo ela, o bônus não pode ser concedido às unidades que não passaram pela avaliação.

A reorganização proposta pelo Estado, que motivou uma série de protestos e ocupações de escolas nas últimas semanas, prevê que os colegiais sejam separados do ensino fundamental. Com a mudança, alguns prédios seriam fechados e transformados em outros tipos de unidades de ensino, como escolas técnicas.

O bônus

O Saresp é uma avaliação aplicada pelo Estado em alunos do 2.º, 3.º, 5.º, 7.º e 9.º anos do ensino fundamental e da 3.ª série do ensino médio, com a finalidade de diagnosticar e monitorar a situação da escolaridade básica no Estado.

Os resultados integram o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp). As unidades que cumprem suas metas, estipuladas pelo índice, recebem uma bonificação salarial que pode chegar a até dois salários a mais.

As faltas profissionais são consideradas no cálculo. Além dos professores, também recebem o bônus diretores, supervisores, coordenadores e demais agentes de organização e serviços escolares. Neste ano, a bonificação de mais de R$ 1 bilhão em todo o Estado beneficiou 232 mil funcionários.

DRE diz que recebeu 12 boletins de ocorrência contra as ocupações

A dirigente do Ensino em Bauru, Gina Sanchez, informou ter recebido, até o final da tarde de ontem, 12 boletins de ocorrência que teriam sido registrados por professores e servidores das escolas Ayrton Busch e Antônio Ferreira de Menezes. Eles estariam descontentes com a ocupação das unidades.

“Nos documentos, eles dizem que estão sendo impedidos do direito de trabalhar”, aponta Gina Sanchez. Segundo ela, outros sete abaixo-assinados também foram recebidos pela DRE. “São funcionários e pais de alunos descontentes com a paralisação, pedindo para que tomemos providências”, completa a dirigente.