08 de julho de 2026
Geral

Para quem gosta de pizza e de fazer o bem!

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

É difícil encontrar quem não goste de pizza. E, mais ainda, quem não queira fazer o bem. Pensando nesta combinação entre sabor e solidariedade, a Associação dos Familiares, Amigos e Pais dos Autistas de Bauru (Afapab) lançou a campanha “Festival do Bem”, que irá distribuir pizzas no próximo dia 19 a quem contribuir com a instituição.

Com o lema “Comer bem para o bem”, a entidade já colocou vales à venda, que custam R$ 20,00 e dão direito a uma pizza, que pode ser de muçarela, presunto e muçarela ou calabresa e muçarela – à escolha do comprador. Presidente da Afapab, a médica pediatra Kátia Elena Semeghini Caputo conta que toda a arrecadação será destinada às atividades da associação. “Hoje, temos 13 internos, que permanecem na instituição por 27 horas semanais, além dos que recebem atendimento por encaminhamento da Secretaria Municipal de Saúde, com quem mantemos convênio. Mas temos estrutura física para atender mais. Esse é nosso grande sonho. Só que não temos recursos para contratação de pessoas”, conta.

De acordo com ela, a Afapab é, hoje, a única entidade de Bauru que atende exclusivamente crianças com autismo, transtorno que acomete uma a cada 364 pessoas no País. “O número é alto e a gente acredita que, pela dificuldade de diagnóstico, seja ainda maior. Não há cura para o autismo, mas, com acompanhamento especializado, estas crianças possuem condições de ter maior autonomia e qualidade de vida”, pontua.

Como ajudar

Quem quiser contribuir para a manutenção e, quem sabe, ampliação do trabalho desenvolvido pela Afapab poderá adquirir os vales na sede da instituição, que fica na rua Antônio Garcia, 6-50, no Jardim Nasralla, ou nos pontos credenciados de venda. Coordenador da campanha, Armando Domingues Caetano explica que, a partir de amanhã, os tíquetes começam a ser comercializados no Calçadão. “Estamos em negociação com outros empreendimentos da cidade, que também deverão se tornar pontos de venda”, adianta ele, que promete uma ampla divulgação e a busca de empresas parceiras.

A expectativa, segundo Caetano, é comercializar 3 mil pizzas, que serão entregues no dia 19 de dezembro, das 10h às 17h, em tendas que serão instaladas na quadra 15 da Getúlio Vargas. Antes do evento, a partir das 9h, a associação pretende promover uma carreata com caminhão de som e queima de fogos, que sairá da sede da Afapab e percorrerá diversas ruas da cidade até a zona sul.

Autismo: tratamento multidisciplinar

Fundada há seis anos, a Afapab atende crianças de 5 a 16 anos, diagnosticadas com o transtorno do espectro autista, que possui diversas manifestações e graus de comprometimento cognitivo. Além de oferecer tratamentos com terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo e psiquiatra, a associação conta com o acompanhamento de pedagogos, que promovem atividades diárias para explorar as potencialidades de cada criança.

“Para estes 13 internos, todos com deficiência mental grave, a Afabap funciona como escola especial. É um trabalho constante, que contribui para ordenar e estabilizar a vida destas crianças e, assim, ajudá-las a desenvolver suas habilidades”, cita a presidente Kátia Elena Semeghini Caputo. Para os cerca de 30 autistas encaminhados mensalmente pela prefeitura, o tratamento de saúde – embora com menor constância - é o mesmo.

“Outro serviço importante prestado pela associação é o diagnóstico precoce, já que o transtorno do espectro autista não possui marcador biológico. Quando mais cedo for o diagnóstico, que precisa ser feito por profissionais treinados e especializados, melhores são as chances de a criança conseguir interagir com a família e a sociedade como um todo”, observa.

‘Contra a maré’

Ex-presidente da Afapab, a decoradora Thaís Borges Savi tem um filho de 12 anos, que é atendido na associação. Foi na entidade, inclusive, que o menino teve o diagnóstico de autismo confirmado, há cinco anos. A partir daquele momento, o garoto passou a ser acompanhado pelos profissionais da instituição, quando Thaís decidiu tirar o filho do ensino regular. “Acabei decidindo ir ‘contra a maré’, contra o argumento da inclusão, porque o progresso dele na Afabap foi nítido. Houve  uma evolução muito grande na socialização”, comenta.

Em razão do transtorno, ela conta que o filho sempre teve dificuldades para demonstrar emoção e avalia que a rede de educação tradicional não estava preparada para lidar com alunos com necessidades especiais como ele. Mesmo assim, até a chegada da fase de alfabetização, os obstáculos foram sendo superados. “Mas, quando ele chegou à primeira série, em que tinha de ficar sentado na cadeira o tempo inteiro, lidar com apostila, livro, ficou difícil. Ele chegou a passar por quatro ou cinco escolas”, revela, salientando que o sofrimento do filho nunca residiu em eventual preconceito que partisse de outras crianças.

“Hoje, embora ainda não consiga escrever, ele já sabe ler. Em uma sala pequena, com apenas quatro crianças, sem barulho, ele recebe a devida atenção dos monitores para desenvolver suas habilidades”, completa.