| João Rosan |
| Suspense - Instalação de tapumes para reforma gerou expectativa na população, mas será que bauruense gostou do resultado? |
| Praça Rui Barbosa como era antigamente, antes da reforma |
| Malavolta Jr. |
| Você prefere a praça de hoje ou de antigamente? Veja o Fala Povo no final desta matéria |
Os tapumes utilizados para cercar o obra da Praça Rui Barbosa foram retirados na última quinta-feira (26). Após meses de suspense, os bauruenses puderam, finalmente, observar o resultado da reforma e revitalização do local. As estruturas que ocultaram os trabalhos despertaram o sentimento de curiosidade na população. O resultado após o fim do mistério, contudo, não foi unanimidade no gosto do bauruense.
A praça faz parte do trajeto de Gabriela Gaspar Maurício, 17 anos, há cinco anos. A estudante conferiu o lugar pela primeira vez ao lado da reportagem do JC. “Eu acho que ficou mais bonita. A primeira impressão foi a sensação de limpeza, até o clima mudou”, afirma.
Álvaro Braitt, 59 anos, também ficou satisfeito com o desfecho da obra: “Ficou bom e melhorou o ambiente. Toda reforma é bem-vinda”.
Entretanto, essa opinião não foi unânime. Para os veteranos dos jogos de cartas, as mudanças não são sequer visíveis. “Isso é uma vergonha! Eu não vejo nenhuma reforma aqui. Foram investidos mais de R$ 600 mil e não consigo enxergar mudanças”. Foram essas as primeiras palavras de Cícero Gonçalves Fernandes, 62 anos, ao conferir o resultado.
Muitos fizeram amigos na Rui Barbosa e a consideram sua “segunda casa”. Cícero relembra da antiga estrutura e diz sentir falta das árvores e animais. Para o entrevistado, o sentimento de frustração é grande. “Esperava encontrar mais verde com a retirada dos tapumes e só encontrei um pequeno gramado”, conta.
Segurança
Quando questionados sobre as primeiras impressões, os entrevistados foram unânimes ao reclamar da falta de segurança. A estudante Josiene Gonçalves, 24 anos, diz que perdeu a vontade de passear com as crianças aos finais de semana pela praça, consequência do consumo e venda de entorpecentes.
Luiz Carlos Carvalho, 62 anos, frequenta a praça desde que aprendeu a jogar baralho. O aposentado diz que já presenciou muitas situações perigosas no local. “Queremos uma base militar e câmeras para nos sentirmos seguros”, solicita o bauruense.
A decisão do início das obras de reforma foi tomada após grandes atos de vandalismo contra o coreto da praça. Diante disso, o prefeito Rodrigo Agostinho garante que a prefeitura intensificará o diálogo com a Polícia Militar a fim de minimizar a depredação do local. Além disso, afirma que o esforço coletivo é necessário para que os resultados da revitalização sejam mantidos por mais tempo.
CRIOU EXPECTATIVA E...
O prefeito Rodrigo Agostinho diz não estar surpreso com a reação negativa de alguns cidadãos. “Os tapumes foram instalados para garantir a segurança da obra, no entanto, a presença dessas estruturas acabou criando muita expectativa.”, disse. “Devemos lembrar de que não planejamos uma praça nova, mas sim uma revitalização que mantivesse os moldes originais do espaço”, continua, quando questionado sobre as poucas mudanças encontradas no local após liberação da passagem.
A prefeitura afirma que, durante a reforma, preocupou-se com aspectos estruturais, como a renovação da fiação elétrica, conserto da fonte central e recuperação do coreto vandalizado.
| João Rosan |
| Rodrigo Agostinho argumenta que não poderia realizar grandes mudanças no projeto original |
Nem prefeito ficou 100% satisfeito
Rodrigo Agostinho esperava uma praça mais arborizada; segundo ele, ainda faltam alguns detalhes de paisagismo e a limpeza dos pisos do local
E não foi só a população em geral que não ficou completamente satisfeita com a reforma da Praça Rui Barbosa. Rodrigo Agostinho expôs suas impressões sobre a área verde do local e disse que “desejava mais”.
“Em metros quadrados, a área verde aumentou, porém, ainda não corresponde às minhas expectativas”, afirma o prefeito, que esperava uma praça mais arborizada.
“Não conseguimos colocar árvores adultas no local. Além disso, sabendo que o espaço é palco de grandes eventos centrais e recebe um fluxo intenso de pessoas, não podemos realizar grandes mudanças no projeto original”, argumenta o chefe do Executivo sobre as críticas de que “pouca coisa foi mudada”.
Segundo Rodrigo, contudo, ainda faltam alguns detalhes para acabar de vez a obra. O paisagismo, responsabilidade da prefeitura, ainda não está totalmente acabado. Além disso, a limpeza dos pisos também é uma demanda pendente.
Atraso
Conforme o JC noticiou, além de atrasar em três meses da data inicialmente prevista, a revitalização também ficou, após aditivo, 15,5% mais cara do que o valor cotado no começo, chegando ao montante de elevando o custo total das intervenções para R$ 653.958,45.
Informações oficiais atribuem a responsabilidade do atraso ao governo federal, o qual demorou além do esperado para realizar os pagamentos, que ainda não foram finalizados.
Inauguração?
De acordo com Sidnei Rodrigues, secretário municipal de Obras, a data de inauguração oficial da Rui Barbosa ainda não foi definida. A equipe da empresa Asfolfi Construtora LTDA, responsável pelos serviços, deve terminar os últimos ajustes e deixar o local amanhã para que o espaço possa ser utilizado pela população no período de festividades de final de ano.
O secretário ainda afirma que todos os itens do contrato licitado foram cumpridos e serviços extras, acrescentados.
Antes e depois
Considerada a primeira praça do munícipio, a Rui Barbosa foi inaugurada em 12 de abril de 1914. Ao ser inaugurada, com seus jardins luxuosos, lagos artificiais e iluminação esplendorosa foi alvo de críticas na imprensa. Foi apontada como um conto das “mil e uma noites”, enquanto a cidade passa dificuldades. Com o tempo, bancos de madeira foram distribuídos próximos às árvores, o que atraiu a população.
As árvores começaram a ser cortadas em 1939 e deixaram, definitivamente, de ser protagonistas do cenário na década de 60. Em 1990, atos de vandalismo impulsionaram a primeira remodelação da praça, que permanece com aquela configuração até os dias de hoje.
A última reforma do local aconteceu há 23 anos. A obra, contudo, foi alvo de críticas em função da falta de árvores, ocasionada pelo modelo de praça concebido pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho, com inspiração em espaços europeus, onde o clima é mais temperado.
A reforma
Os principais serviços mencionados em contrato desta última reforma foram: a recuperação completa dos sanitários, recolocação dos domos acrílicos na cobertura, adaptação dos sanitários para acessibilidade de pessoas deficientes e/ou com mobilidade reduzida, pintura externa dos sanitários e remodelação do piso mosaico pedra portuguesa.
Além dos serviços previamente definidos, o secretário Sidnei Rodrigues cita ajustes extras, como a pintura dos postes, bancos e grades do local. Essa é a primeira reforma dos últimos 23 anos.