Hoje sou apenas um vendedor de sonhos esquecidos; apagados; mórbidos.
Caídos no desapontamento do simples existir, seja na ilusão ou na falsa fantasia de um olhar perdido em meio ao caos... resistindo cada segundo...
Respirando por vaga consciência.
Hoje talvez não mais, mesmo que haja um algoz insensato sedento por rebeldia...
Lá fora a chuva de canivetes corta almas vazias...
(...) um passo ao precipício condena quem é covarde e liberta aquele que alimenta filhos ordinários e entorpecidos pela atrocidade do corrimento complacente de vidas perdidas...
São mãos sujas pelo suor que goteja onde testas se debruçam e choram aflitas. Transitando em meio a um rio de lama
Lama há no rio, onde escorre o sangue de muitos perdidos. Transitam por ali uns e outros confusos e culpados de uma vida sem vida de um ser sem ter de um eu sem mim, mesmo sem um nós com um consigo sem conseguir...
Sigo em frente, com os pés para trás por mera estupidez; caminho eu por um destino incompleto onde vocês bocejam confiantes em um eco único do murmúrio de uma santa e inegável fé.
O perdão não renova a vida de quem perdeu quase tudo quando já não restava quase nada. Calados e confusos regurgitam o passado tentando esquecer o presente, ansiosos por um futuro que nunca chegará. O fim já foi; agora é apenas lamento de um povo que insiste em viver quando estes já são tidos como mortos por todos os outros sonhadores. Mariana: 12/11/2015