09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Saidinha milagrosa

Azis Neme
| Tempo de leitura: 2 min

Não acreditamos nesse sistema adotado de recuperação de criminosos, pois até o momento nada foi provado da sua eficácia, pelo contrário. Todos sabem que as penitenciárias são escolas do crime. Não se sabe, até hoje, de um criminoso que tenha sido reformado pelo sistema penitenciário. (O nosso sacrifício tem sido inútil). Assim, juntando-se criminosos num mesmo lugar é certo que pensarão maneiras mais eficientes de realizar o crime.


Da mesma forma, como torcedores de um mesmo time, juntos vão falar sobre o seu time. “Um sequestrador recém-capturado confessou que foi numa penitenciária, onde se encontrava cumprindo pena por crime pequeno, que aprendeu as vantagens e técnicas do crime grande: os sequestros”.


É preciso notar que os criminosos não são criminosos só por razões estéticas, dinheiro ou celulares. (A vaidade é própria do ser humano). Todos os homens desejam ser figuras lendárias, heróis, objetos de admiração, espantou ou mesmo de horror.


É grande a felicidade do criminosos quando a sua fotografia aparece na primeira página do jornal! Há um enorme prazer em sentir-se temido e odiado. (O horrendo pode ser belo). Também os criminosos se alimentam de fantasias. (Narcisismo).


Na Idade Média havia uma forma curiosa de punir os criminosos. Eles eram colocados em pelourinhos, que ficava numa praça pública. Ali ficavam os infratores expostos ao riso e zombaria do povo, com as partes pudentas à mostra.


Essa situação de ridículo, acredito, se constituía num poderoso antídoto a qualquer imagem heroica que os criminosos pudessem ter de si mesmos. Aí fiquei pensando se não haveria uma forma moderna de se aplicar esse castigo inspirado na psicanálise. (O medo do ridículo é capaz de desencorajar muitas ações).


A proposta apresentada na Idade Média é inviável no momento, por razões práticas. (Não há praças suficientes, pois o número de criminosos é muito grande). Assim poderiam as autoridades competentes colocar na Internet um site com o nome “Pelourinho”. Ali poderíamos ver a cara dos criminosos nas variadas versões. Aí o povo começaria a rir deles. Quem sabe os criminosos se regenerariam, por vergonha!


Seria uma maravilha, e nós, o povo, estaríamos libertos para praticar o seu lazer. Sair de casa, fazer nossa caminhada diária, enfim... viver novamente com alegria. E, o mais importante, deixar de ser assaltado e de apanhar, covardemente, do criminoso.


O brasileiro tem uma índole pacífica, e uma capacidade infinita para o sofrimento. Ele é capaz de aceitar as maiores privações e de conviver com os maiores sacrifícios se acreditar na justiça da causa e na beleza do futuro.