09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A ocupação de escolas pelos alunos

Prof. Joaquim Eliseo Mendes ? ABLetras
| Tempo de leitura: 2 min


Apesar de não ser especificamente em escolas, todos nós já tivemos oportunidade de acompanharmos movimentos sociais da juventude que ficaram registrados historicamente, ocorridos em determinados países, precisamente em Paris, Londres e Nova Iorque, todos eles insurgentes contra os preconceitos da época e no fundo, reivindicatórios exigindo mudanças. Chegou a vez do Brasil e, por certo, semelhantemente também ocorrerá em outros países e nos vizinhos. Entendo que este movimento não será o único, mas o primeiro. Realidade comprovada pela ocupação, por enquanto, de 190 escolas do Estado por alunos do ensino fundamental e médio.

Aqui em Bauru tivemos quatro, outras em Agudos e região, com maior incidência em escolas tradicionalíssimas da capital. E, diga-se de passagem, ocupações pacíficas e se houve algum caso isolado de vandalismo, não foi provocado pelos alunos ocupantes. Estas ocupações que estão ocorrendo provocadas pela reorganização da rede estadual de ensino, planejada por técnicos de gabinete, não visa a melhoria do nosso combalido nível de ensino, mas sim economizar, justamente em educação. Este movimento constitui um legítimo protesto contra o autoritarismo de mudar e fechar escolas à revelia e que teve início pelo descontentamento dos pais com a adesão dos filhos. Qual o pai ou mãe que aceita a mudança arbitrária do seu filho para estudar longe de casa sem que o mesmo Estado lhe conceda os meios seguros necessários, segurança e principalmente transporte? Entendo que esse movimento social que está acontecendo nas escolas é democrático, pois partiu dos pais e seus filhos os alunos e não foi insuflado por terceiros. Tanto que estes mesmos pais têm acompanhado as atividades organizadas pelos próprios filhos dentro da escola. E, ressalte-se, não apenas os pais acompanham e dão cobertura, como os demais moradores vizinhos. Seria muita inocência por parte de seus idealizadores considerar que esta reestruturação da rede escolar tendo como consequência mudança compulsória de alunos e professores, fechamento de prédios e classes superlotadas ocorresse pacificamente, dizendo-se “amém”. E à vista do que está ocorrendo, pode-se questionar: “então não se pode mudar a rede física tendo em vista a diminuição dos alunos comprovada estatisticamente?” Sim, pode desde que haja planejamento com medidas e metas a serem atingidas a médio e longo prazo. Mas, acontece que este tipo de planejamento não ocorre em nosso país, não apenas em educação mas em todas as áreas de atividades públicas. Pois o que um governo faz o seu sucessor não continua.

Nós, aposentados mas ricos em experiências, categoricamente podemos afirmar que sim. Pelo muito que já vimos de certo e errado. Todos passaram e, no entanto, a educação permanece.