Novamente fecha-se o ciclo anual, natural, chega o Natal, data comemorada em várias culturas das mais variadas formas e simbologias, muito antes da era cristã.
O solstício de inverno próximo ao dia 25 de dezembro, dia em que o sol recomeça o ciclo de maior tempo de exposição no hemisfério norte, herdado pelas culturas do hemisfério sul justamente em sua fase contrária, que marca o início do definhamento da exposição solar que é o solstício de verão, possui grandes significados de mudança, de início ou encerramento de ciclos.
Justamente os ciclos que fazem parte do sistema de vida em todas as suas formas de existência. Para nossa forma humana de vida, os ciclos, e não poderia ser diferente, são fundamentais. Os experimentamos diariamente com o nascente e o poente do sol, as influências semanais das fases da lua, as alternâncias das estações trimestres anuais que compõe o ano solar e a relação com o próprio universo.
Estas influências nos marcam e nos predispõem em variados aspectos, hormonais, biológicos, psicológicos, maturação, comportamentais, enfim, recebemos “inputs” destes ciclos em todos os momentos de nossa vida. Especificamente o Natal e seu período são uma importante marca na vida humana, principalmente na vida ocidental onde predomina a cultura cristã que comemora o nascimento de Jesus.
A vinda de Cristo, identificado posteriormente como parte intrínseca do hipotético criador do universo, possui uma história interessante e comovente. Um ser tão poderoso, colocado num coxo de animais servindo de berço, mostra um romance cheio de simbolismos. Um ser que teria vindo para melhorar o ser humano, torná-lo mais fraterno, salvá-lo de suas mazelas, dando-lhe ensinamentos e mostrando caminhos para uma busca de uma vida eterna. Mesmo os que não professam a crença na existência de deuses, tais como os abominados ateus, não deixam de se comover com a narrativa, imbuídos no espírito fraterno que domina o período.
Por isto, o Natal é a festa de todos, é a festa onde se busca também a reconciliação, se busca o desarme para o exercício do amor e da doação.
Pena que o ser humano tenha usado tão mal este tão belo mito em vários períodos posteriores à sua criação, para exercer o poder, explorar seus próprios semelhantes e esconder suas hipocrisias atrás de uma carapaça moral extremamente falha, como também nos mostra a própria história dos tempos até hoje. Mas não é época agora de expor o sangue, os “vales de lágrimas” e a podridões humanas, mesmo porque elas continuam aí ao nosso lado, basta querer ver.
Numa outra óptica, é uma grande festa comercial. O sistema econômico se aproveita para usar seu garoto propaganda vermelho, o Papai Noel criado pela Coca-Cola, para vender presentes e convencer que a melhor forma de agradar as pessoas é dando-lhes alguma coisa, de preferência com o maior valor possível. O ciclo novamente se fecha pois as pessoas gostam também de receber estes presentes e ficam ainda mais entusiasmadas com o período. São só detalhes e não se pode culpar o Natal por esta exploração financeira.
E após este, no ano que vem, terá novamente um Natal, provavelmente.