09 de julho de 2026
Geral

Oficina Cultural perde coordenadoria

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

João Rosan
Paulinho Pereira coordenou a Oficina com atuação em 45 cidades  

O prédio reformado com R$ 5,4 milhões pelo governo do Estado de São Paulo contrasta com a porta fechada, agora sem coordenadoria regional em Bauru. Formada pelo governo paulista para realizar, sobretudo, a formação cultural intermediária e oferecer cursos de iniciação e capacitação artística em diversas áreas, a Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, a primeira do Interior, perde a coordenação em relação a 45 cidades.

O enxugamento teve, neste início de dezembro, o segundo ato concretizado, com a exoneração de Paulinho Pereira da coordenadoria. Agora, Bauru e outras 44 cidades respondem oficialmente a Marília. A Secretaria Estadual de Cultura também cortou as coordenações regionais em Campinas, São João da Boa Vista, Araraquara e Araçatuba. Foram mantidas as regionais em Presidente Prudente, Marília, São Carlos, Limeira, Rio Preto, Ribeirão Preto, Sorocaba, Santos, São José dos Campos e Iguape.

Há 17 anos atuando no segmento, sendo oito deles na coordenação da unidade em Bauru, Paulinho Pereira lamenta o corte. “A reestruturação envolve racionalização de custo. Acho até razoável pensar que algumas unidades, como Iguape na Baixada Santista, onde já tem Santos próximo, e Araraquara, onde tem São Carlos próximo, tivessem a estrutura regional redimensionada. Mas incluir nesse pacote a primeira do Interior, a mais ao Centro do Estado e com projetos consolidados em seu histórico é ruim”, comenta.

Pereira lembra que, no auge, a Oficina Glauco Pinto de Moraes teve 30 integrantes na equipe. “No início do ano, quando a direção ainda anterior decidiu pela reforma do prédio, com investimento de R$ 5,4 milhões, já era discutida a junção de regionais. Mas ninguém, a princípio, considerou que uma unidade que atuou com 30 técnicos na produção nos anos 90 fosse, após um aporte desse tamanho, fechar”, aborda.

“São cursos, palestras, oficinas, workshops, espetáculos e exposições em artes plásticas, audiovisual, circo, performance, dança, fotografia, literatura, música, teatro, gestão cultural. A formação intermediária da classe artística foi alimentada pela Oficina. Muitos profissionais daqui passaram a dar aulas em projetos em cidades vizinhas. Agora é unidade nova e porta fechada. Tem de discutir com Marília”, lamenta Paulinho.

Não está definida a destinação do prédio reformado. Um setor do Judiciário trabalha para instalar varas no local. “A classe artística se mobilizou quando do anúncio do fechamento. A unidade tem a estrutura toda pensada para cursos, com sala de dança, música, auditório. E o município tem carência de espaço público par abrigar projetos e paga aluguel em várias atividades na Cultura. Tomara que a cidade não perca pelo menos o espaço para disseminação de cultura”, opina.

A Secretaria Municipal de Cultura tem interesse no prédio reformado. Mas o projeto depende de ação política do prefeito Rodrigo Agostinho e de ação junto a lideranças com acesso ao Palácio dos Bandeirantes, naturalmente o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). “O secretário Elson Reis já foi lá vistoriar. A Banda e a Orquestra Municipal terão de deixar o Automóvel Clube, onde alugam e o imóvel será vendido. O projeto Guri, do Estado mas com parceria local, também tem aluguel pago pela Prefeitura que, inclusive, está em dificuldades financeiras. O prédio da Oficina está lá, prontinho para receber esta e outras estruturas de cultura”, indica o ex-coordenador.


Verba: R$ 1,7 mil/mês

A manutenção da Coordenadoria Regional esbarrava, segundo o ex-coordenador, no orçamento apertadíssimo. “Em setembro, outubro e novembro, meu último trimestre na função, trabalhei com R$ 5 mil para atender 45 cidades. Isso dá uns R$ 1.700,00 por mês. Não dá para pensar um bom projeto com essa verba. O orçamento caiu muito. Era de R$ 25 milhões e caiu para R$ 19 milhões. Eu tirei projetos do papel com parcerias, públicas e privadas”, argumenta Paulinho Pereira. As oficinas recebem recursos através da organização social Poiesis, contratada pelo Estado desde meados de 2011. O Estado define os recursos para as Oficinas e a contratada gerencia as transferências. “Chegamos a trabalhar com R$ 120 mil no semestre na Oficina. Nos pequenos municípios não há a presença do Estado no setor cultural e a Oficina é fundamental”, sugere Pereira.


Secretaria de Cultura

A Secretaria Estadual de Cultura se posicionou, através da assessoria de imprensa, a respeito das questões discutidas pelo então coordenador Paulinho Pereira. 

“O desligamento de um funcionário da Oficina Glauco Pinto de Moraes, que já estava prevista, não altera o funcionamento do programa na região de Bauru. O processo de reestruturação da coordenação regional é meramente administrativo e visa garantir o uso mais eficiente do dinheiro público, com foco no atendimento à população de forma ampla e diversificada”, diz a nota.

Conforme a pasta, a programação de 2016 está em fase de planejamento e “garantirá a realização de atividades de forma descentralizada, em vários municípios. Para tanto, o programa conta com uma equipe ampla e capacitada para identificar demandas locais, realizar parcerias com municípios, grupos artísticos e, assim, programar atividades de alta qualidade para o público”.

A secretaria argumenta que, apesar do fechamento de unidades, o programa ampliou o atendimento. “Considerando a reestruturação administrativa iniciada em março, o programa atendeu de janeiro a setembro mais de 72 mil pessoas em 182 municípios paulistas, batendo antecipadamente a meta anual, que era de 47.850 de pessoas. Só na região de Bauru, foram realizadas 55 atividades para um público de quase quatro mil pessoas”, posiciona a assessoria.

Conforme a pasta, o orçamento previsto para o programa em 2016 é o mesmo de 2015 – cerca de R$ 20 milhões. Com a reforma da sede da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, as atividades de 2015 foram realizadas em espaços parceiros, a fim de garantir o atendimento à população. O término das obras está previsto para fevereiro de 2016. A Secretaria não mencionou qual será a destinação do prédio.