| Quioshi Goto |
| Nascida em 1910, Abibia foi das primeiras voluntárias da Apae |
Abibia Aguiar Monteiro, a dona Bibi, completará, neste domingo, nada mais nada menos que 105 anos. Ela dedicou três décadas à Associação dos Pais, Amigos e Excepcionais (Apae) de Bauru, sendo uma das primeiras voluntárias do grupo. Diante disso, a entidade decidiu presenteá-la através de uma homenagem. Dona Bibi se emocionou com a iniciativa e ainda revelou o segredo da longevidade: ajudar o próximo.
Essa jovem de espírito nasceu em 6 de dezembro de 1910, na época da República Velha, quando Hermes da Fonseca assumia a Presidência do País. Embora não tenha nascido em Bauru, se considera uma bauruense, porque ama a cidade. Dona Bibi é de Argirita, em Minas Gerais, mas saiu da terra natal assim que se casou com o cirurgião dentista Rubens Monteiro, que faleceu em 1991.
Ela veio a Bauru em 1952, porque o marido havia aceitado um convite para trabalhar na extinta Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), onde permaneceu até se aposentar. Já dona Bibi cuidava da casa mesmo. Ela era vizinha da atual presidente da Apae de Bauru, Olga Bicudo Tognozzi. “Eu sabia que havia um grupo de voluntárias que ajudava portadores de deficiência, recebi o convite para participar e aceitei de imediato”, narra.
Dona Bibi também foi uma das primeiras mulheres a ter habilitação para dirigir na cidade. Ela tirou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em 1939 e ficou atrás do volante até os 89 anos. “Atualmente, tenho medo de dirigir, principalmente, por causa das motocicletas, que ficam ‘coladas’ nos carros”, confessa. O primeiro veículo que a mulher conduziu era um Ford 37. Em seguida, passou para um TL 71.
Festa
Desta vez, dona Bibi não teve uma festa, mas recebeu o grupo de voluntárias da velha guarda da Apae, inclusive, a atual presidente da entidade, Olga Bicudo Tognozzi. Ela ganhou diversos mimos e passou a tarde relembrando o trabalho voluntário que era feito na época. “Eu fazia de tudo, até telefonemas cheguei a atender. Esse tipo de trabalho faz você se esquecer dos problemas e não deixa a mente envelhecer”, defende.
Além disso, dona Bibi não aparenta sofrer tanto com a idade. Tirando o Mal de Parkinson que tomou conta de sua mão direita, a mulher não tem qualquer outra doença, aliás, se vangloria de sua “saúde de ferro”. Tanto que ainda não deixa de dar continuidade ao trabalho voluntário. Ela chegou a participar da última Feira da Bondade da Apae de Bauru. “Aos 100 anos, eu ainda era independente, mas agora preciso de uma ajudinha para me levantar”, acrescenta.