| Malavolta Jr. |
| Agora, Pagoto diz que estava sozinho quando um servidor teria lhe pedido uma “contribuição” |
Responsável pela até então principal denúncia por suposta cobrança de propina na Secretaria do Desenvolvimento Econômico em troca da concessão de áreas municipais em distritos industriais, Norberto Pagoto prestou novo depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal. Mesmo com fotos de todos os servidores da pasta à sua disposição, o empresário disse não conseguir reconhecer o agente público que teria lhe solicitado, indevidamente, o pagamento de R$ 10 mil. Além disso, a oitiva dessa terça-feira (8) foi marcada por contradições.
Pagoto afirmou que esteve por pelo menos três vezes na Prefeitura de Bauru para tratar do pedido de cessão de terreno para ampliar sua oficina mecânica. Contudo, nos registros de acesso ao Palácio das Cerejeiras, consta apenas uma passagem por lá, na manhã de 5 de maio.
Neste dia, o empresário foi acompanhado por mais três pessoas, que também prestaram esclarecimentos à comissão nessa terça, sendo que nenhuma delas relatou ter presenciado qualquer tipo de cobrança irregular. (Leia mais abaixo)
Em seu primeiro depoimento, no dia 13 de novembro, Pagoto relatou que outros dois empresários tinham presenciado o pedido de “contribuição” e a posterior briga entre ele e o servidor, autor da suposta irregularidade.
No mesmo dia, no entanto, disse que se expressou mal e estava sozinho com o funcionário no episódio. Pagoto não soube informar também a data da cobrança nem como acessou o Paço Municipal sem passar pelo registrando, observando, porém, que, em uma das vezes que esteve lá, adentrou ao prédio direto, na companhia do vereador Carlinhos do PS (PP).
O parlamentar, aliás, será chamado pela Comissão de Fiscalização a prestar novos esclarecimentos por escrito. Foi ele quem levou o parlamentar para depor à Câmara Municipal, após ter sido gravado pelo ativista Pedro Valentim, comentando sobre suposta propina no Desenvolvimento Econômico.
SEM IDENTIFICAÇÃO
Desde o primeiro depoimento, Norberto Pagoto dizia não se recordar do nome do funcionário público que teria tentado lhe extorquir. Na ocasião, contudo, teceu algumas características físicas de sue interlocutor na Prefeitura de Bauru.
De posse das fotos de todos os servidores da pasta, os vereadores tentaram, sem sucesso, fazer com que o empresário apontasse o autor da cobrança: “Não consigo reconhecer”.
Pagoto reiterou, no entanto, a informação de que, após ter supostamente discutido com um funcionário municipal, viu Renato Purini chegar ao local. O secretário do Desenvolvimento Econômico nega ter presenciado qualquer animosidade e garante não se lembrar do denunciante.
Processo?
Com exceção de Nivaldo Soares, os três depoentes alegaram, nessa terça, à Comissão de Fiscalização e Controle que viram, no dia 5 de maio, na Prefeitura de Bauru, dois processos referentes a pedidos de concessão de área. Um deles seria de Norberto Pagoto.
A informação diverge da informação oficialmente prestada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico de que não há qualquer registro formal de solicitação de terreno da parte do empresário.
Todos eles, aliás, informaram que, quando protocolaram os pedidos, não receberam qualquer tipo de protocolo para acompanhar o trâmite de seus processos.
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| Rubens, Nivaldo e Gleison não presenciaram suposta extorsão |
Outras ‘testemunhas’ dizem não ter presenciado cobrança de propina
Além de Norberto Pagoto, a Comissão de Fiscalização e Controle ouviu, ainda na terça, os empresários Rubens Suzuki e Nivaldo Soares, além do vice-presidente do PSD de Bauru, Gleison Contador. Os quatro foram juntos à Secretaria do Desenvolvimento Econômico no dia 5 de maio, para se inteirar sobre os pedidos de doação de áreas municipais para os três primeiros.
Tanto Rubens quanto Nivaldo e Gleison relataram que Pagoto comentou sobre a cobrança de propina, mas, na ocasião, foram atendidos por duas servidoras que teriam agido de forma profissional, sem fazer qualquer menção a condutas indevidas. Elas teriam recebido o grupo em função da ausência do secretário Renato Purini, com quem os visitantes desejavam conversar.
Gleison, no entanto, revelou que chegou a censurar os três empresários quando percebeu que, após a conversa na prefeitura, combinavam aceite ao suposto pedido de propina. A versão é negada pelos demais.
Apesar de não terem presenciado qualquer tipo de cobrança, o presidente do PSD e Rubens Suzuki disseram acreditar em Norberto Pagoto. Nivaldo Soares se recusou a responder a este questionamento dos parlamentares.