11 de julho de 2026
Regional

50 pessoas pagam empresa de turismo, mas não viajam

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo/Arquivo JC
Delegado Celso Olindo diz que um inquérito foi instaurado para apurar o caso, tratado como estelionato

Grupo formado por cerca de 50 pessoas procurou a Polícia Civil de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) para denunciar empresa de turismo da cidade que vendeu dois pacotes de viagens, com saídas previstas para o último final de semana, mas não cumpriu os contratos. Segundo a polícia, o responsável pela empresa é um adolescente de 17 anos. A mãe dele se comprometeu a devolver o valor pago pelas vítimas, cerca de R$ 20 mil, até o fim de fevereiro.

O delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu, Celso Olindo, revela que o adolescente abriu a empresa no nome de uma amiga e passou a comercializar os pacotes de viagens com preços promocionais para atrair os clientes. “Segundo ele, ele começou a vender pacotes de turismo por preço até abaixo do custo para conseguir uma fama de empresa de turismo e, no fim, não conseguiu pagar”, conta.

Algumas excursões chegaram a ser feitas, mas, no final de semana, cerca de 50 pessoas que haviam comprado pacotes para parque aquático em Olímpia e parque temático em Vinhedo foram prejudicadas, já que ninguém apareceu no horário e local combinados. “Ele foi pegando dinheiro de vendas posteriores para pagar as anteriores e, no fim, acabou se enrolando e não conseguiu fazer as duas últimas viagens”, diz Olindo.

De acordo com o delegado, as pessoas que não conseguiram viajar registraram boletim de ocorrência. O caso, segundo ele, é tratado como estelionato e o adolescente poderá responder pelo ato infracional. “Ele enganou essas pessoas pegando o dinheiro e não fez a viagem, ou seja, ele teria angariado algum fundo. Ele deve ter ficado com parte desse dinheiro. Então, em tese, está sendo tratado como estelionato”, explica.

O titular da DIG ressalta que a amiga do jovem, dona da empresa, e a mãe dele, que chegou a emprestar máquina de cartão da empresa dela para o filho, também poderão ser responsabilizadas. “Se elas sabiam que ele estava enganando as pessoas, podem responder. Isso tem que ser apurado no inquérito policial”, declara. Na Receita Federal, a empresa possui como atividades organização de feiras, festas e edição de revistas.

Vítimas

Um professor que iria viajar com alunos para o parque aquático no sábado (5), teve prejuízo de R$ 4.158,50. Uma das estudantes usou ontem as redes sociais para pedir Justiça. “Só queremos nossos direitos preservados e ressarcidos com danos morais e materiais”, disse.

Devolução do dinheiro

Segundo o delegado titular da DIG, Celso Olindo, a mãe do adolescente assinou termo se comprometendo a devolver o valor pago pelas duas excursões que não foram realizadas, no total de cerca de R$ 20 mil, até 29 de fevereiro do ano que vem. Em entrevista a TV local Alpha, ela alegou que o filho tinha o sonho de abrir uma agência de viagens e disse que não sabia que ele estava enfrentando situação difícil. “Foi apenas um sonho de um jovem”, declarou. “Ninguém vai ficar sem ser ressarcido”, garantiu.