11 de julho de 2026
Geral

Luciano Dias Pires: uma história de 65 anos no jornalismo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução/Quioshi Goto
Luciano Dias Pires já trabalhando na década de 50
Quioshi Goto
Hoje, Luciano narra trajetória de seis décadas e meia

Neste domingo (13), a edição do Bauru Ilustrado encartada no JC completa 41 anos de publicações. Nessa jornada está escrita os 65 anos de jornalismo do editor, Luciano Dias Pires. O fôlego e lucidez, o que inclui o gosto pelo memorialismo, são explicados por Luciano pela paixão herdada dos pais. “Parece que está no sangue dos Pires”, conta.

Ao comentar a trajetória, Luciano faz menção a recordações que tem da vida profissional do pai, Francisco Xavier Pires Corrêa, segundo ele, narradas pela mãe, Luciana Dias Pires. “Dizia-me ela que, ainda solteiro, meu pai ganhou do pai dele uma tipografia em Avaré. Já casado e com dois filhos, ele iniciou uma peregrinação por cidades da região. Além de montar tipografia, tinha sempre um pequeno jornal. Era ferrenho e contumaz crítico dos coronéis da época, o que o motivou a certa altura a sair às pressas com suas bagagens para Botucatu, onde nasci”.

Em 1929, a família veio a Bauru. Tempos depois, o menino Luciano soluçou em paixão quando o locutor Luciano Santoro fez uma observação. “Certa vez, o xará locutor, falando com meu pai, se dirigiu a mim perguntando como eu estava indo na escola: ‘Estude bastante, pois um dia você poderá estar no meu lugar’”, disse.

Aquela frase não mais saiu de sua memória. Em 1948, de férias na Estrada de Ferro, Luciano Dias Pires até tentou um teste da Rádio Tupi, na Capital, porém, não deu certo. Voltou a Bauru. “Voltei para a ferrovia de novo por concurso. Naquele tempo, um locutor saiu da Bauru Rádio Clube e o saudoso José Fernandes do Amaral sugeriu ao Leônidas Simonetti para experimentar, na emissora, o locutor da voz dos intervalos dos jogos do Norusca, que era eu. E lá fui eu tentar realizar o sonho de infância. Fui contratado”, comenta.

O início

Era o início da carreira, do sonho de criança, na década de 50, há 65 anos. “Em 1953, passei a me interessar pela imprensa escrita e ingressei na Associação dos Cronistas Esportivos, que presidi em 1953. Passei a escrever como cronista nessa época”.

Dos anos 50 até hoje, são 65 anos de jornalismo. “Na PRG-8, em 1953, criei o programa Pra Frente Noroeste, quando o alvirrubro disputava a Segunda Divisão e queria a elite do futebol paulista. Em 1958, um programa de sucesso. Lancei com o saudoso Nelson Reginato, jornalista, ex-vereador, o noticioso Grande Jornal Falado G-8. Ficamos no ar por vários anos”.

De lá, Pires foi para a Rádio Terra Branca, depois foi redator regional do Diário de São Paulo. “Finalmente, em 1 de agosto de 1960, aconteceu a inauguração oficial da televisão bauruense, da qual por vários anos participei ativamente na propagação”, menciona.

Em 1974, Luciano levou ao então empresário Alcides Franciscato, presidente do Grupo Prata e Jornal da Cidade, a ideia de editar o Bauru Ilustrado. O BI, de forma ininterrupta, completa exatos 41 anos de circulação hoje.

Paralela à atividade na imprensa e na Noroeste do Brasil, durante mais de 30 anos, o jornalista foi diretor e conselheiro do E.C. Noroeste e da Beneficência Portuguesa e, de 1966 a 1968, presidente da Liga Bauruense de Futebol Amador. Ao comemorar a trajetória, Luciano tem uma interrogação: “Quando eu ‘bater com as dez’, quem vai cuidar e contar nossa história?”.