| Reprodução Facebook |
| O bauruense Antônio Carlos Barbosa foi o escolhido para ser o novo técnico da Seleção |
Após a saída de Luiz Zanon do comando da seleção feminina de basquete, na semana passada, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) anunciou nessa segunda-feira (14) o bauruense Antonio Carlos Barbosa como novo treinador. Aos 70 anos, ele conhece muito bem a função, pois são 20 anos dedicados em duas passagens, acumulando 428 jogos. Barbosa foi o técnico da seleção feminina entre 1976 e 1984 e depois entre 1996 e 2007.
Na soma dos dois períodos, conquistou resultados importantes, como as medalhas de prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, e bronze nos Pans de Caracas-1983 e Santo Domingo-2003, oito vezes campeão sul-americano (1978, 1981, 1997, 1999, 2001, 2003, 2005 e 2006), uma vez vice sul-americano (1977), duas vezes campeão da Copa América (1997 e 2001) e uma vez vice (2005), e ainda duas vezes quarto colocado no Mundial (na Alemanha, em 1998, e no Brasil, em 2006).
A principal conquista de Barbosa no comando da seleção feminina foi o bronze nas Olimpíadas de Sydney, na Austrália, em 2000. O treinador também estava na equipe que ficou em quarto lugar nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Agora, em sua terceira passagem, Barbosa tem o desafio de acalmar os ânimos na seleção, que vem em situação difícil após os seis clubes da Liga de Basquete Feminino (LBF) declararem publicamente que a CBB pouco tem apoiado a modalidade, e exigirem o comando da seleção. O primeiro desafio do bauruense será um evento-teste para os Jogos Olímpicos, em janeiro, no Rio. Depois, a partir de maio, uma série de amistosos devem ocorrer, visando a preparação do time para as Olimpíadas, que serão em agosto. Barbosa falou com o JC sobre seu retorno à seleção:
JC – Como foram os contatos para sua volta?
Barbosa – Não esperava retornar neste momento. Mas tenho saúde, disposição, e decidi assumir esse desafio. Houve esse problema de saúde com o Zanon, e certamente a CBB analisou meu histórico na seleção. Agora é um momento importante, estamos chegando perto das Olimpíadas, não dá para fazer teste. Para este primeiro torneio, em janeiro, vou manter a convocação do Zanon. O elenco se apresenta dia 5 de janeiro, começa a treinar dia 6 e os jogos serão entre os dias 14 e 17.
JC – Em relação a esta situação com os clubes, como administrar?
Barbosa – Eu não sou uma pessoa estranha ao basquete feminino, então vou procurar administrar bem isso. Mas algumas coisas não tem sentido, a gente tem que pensar no Brasil acima de tudo, e não em problemas localizados. Os clubes tem o direito de reivindicar, mas a seleção brasileira representa o País. E não tem só os seis times da Liga Feminina, não pode radicalizar. Espero que as jogadoras possam atuar, mas se alguém não se apresentar, vou convocar outras atletas.
JC – Nas duas passagens anteriores, qual foi seu principal momento?
Barbosa – Certamente a medalha de bronze em 2000. Uma medalha olímpica é sempre um resultado que tem um peso maior. Mas tivemos outros bons momentos, em Olimpíadas, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e em sul-americanos.
JC – A oito meses das Olimpíadas do Rio, aqui no Brasil, é seu maior desafio na carreira?
Barbosa – Não vou dizer que é uma situação cômoda, porque Olimpíadas é sempre uma responsabilidade grande. E a intenção é buscar medalha. Mas acredito que quando assumi em 1996, foi mais complicado, porque o Brasil vinha de um título mundial e um vice olímpico, e as pessoas querem manter o mesmo patamar, independente de você não ter o mesmo elenco (Paula e Hortência se aposentaram nesta época da seleção). Foi um desafio muito grande.